segunda-feira, 30 de junho de 2008

Entrevista com Emmanuel Carneiro Leão

Doutor pela Universidade de Roma, Itália, e licenciado em Filosofia pela Universidade de Friburgo, Alemanha, onde foi aluno de Heidegger, Carneiro Leão regressou ao Brasil em meados da década de 1960. Desde então, dedica-se ao magistério na condição de professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na qual leciona até hoje. É um dos principais divulgadores do pensamento heideggeriano no Brasil, tendo traduzido para o português alguns livros do filósofo alemão. É autor de, entre outros, do livro Aprendendo a pensar. Petrópolis: Vozes, 1991. Confira o que o professor pensa sobre o assunto.

IHU On-Line – Quais são suas principais lembranças como aluno de Heidegger?
Emmanuel Carneiro Leão – Minha primeira lembrança é que a atividade de ensino e acadêmica de Heidegger para com seus alunos, com os estudantes, aqueles que escutavam suas palestras, era de um cuidado todo especial. Era um professor com grande atenção para as dificuldades e os problemas dos seus alunos. A segunda grande lembrança e impressão que tenho é que a importância do ensino de Heidegger era promover a capacidade de pensamento dos alunos. Ele não queria ensinar respostas, problemas, perguntas, doutrinas, mas desenvolvia a capacidade própria de pensar de cada aluno, porque a posição que ele passava era que todo o homem tem uma contribuição a dar à vida do pensamento, de maneiras diferentes, com graus diferentes, com qualidade diferente, deixando transparecer que essa contribuição é fundamental para o desenvolvimento da capacidade de pensar de todos.

IHU On-Line – Qual é a grande contribuição da filosofia de Heidegger?
Emmanuel Carneiro Leão – A principal contribuição da obra de Heidegger e o grande mérito é promover esse aprofundamento do pensamento. Pensar não é ficar no nível das relações já dadas, encontradas, mas aprofundar, a partir do que é dado, até a proveniência, a origem, a fonte de onde elas são oriundas.

IHU On-Line – Quais são as principais diferenças entre a fenomenologia de Heidegger e a de Husserl?
Emmanuel Carneiro Leão – Podemos dizer que a fenomenologia de Husserl[1] se constrói por meio da intencionalidade da consciência. Isso significa que há uma diferença entre fenômeno e fenomenologia e o que faz a intermediação entre essa diferença é a intencionalidade dessa consciência. Sem consciência, não há fenomenologia, para Husserl. Para Heidegger, já não é dessa forma. Ele acredita que a fenomenologia é o próprio fenômeno. É por causa da fenomenologia do fenômeno que há consciência e intencionalidade. O Dasein, a presença, o modo de ser do homem, não é intermediário entre o fenômeno e a fenomenologia, mas é o lugar onde o fenômeno mostra que ele já é a fenomenologia.

IHU On-Line – Como Heidegger dialoga com a tradição filosófica? Quais são suas principais influências e quais são os rompimentos que propõe?
Emmanuel Carneiro Leão – Heidegger tem uma formação religiosa, cristã, escolástica e, pela escolástica, ele encontra a filosofia grega. Como a filosofia grega, mediada pela escolástica é a filosofia clássica, o que significa Platão[2] e Aristóteles[3], Heidegger procura suas fontes, de onde provêm esses pensadores. Por isso, a principal influência para o pensamento pré-socrático. Para se compreender o pensamento clássico é indispensável ter uma experiência do que constitui a contribuição dos pré-socráticos. Com essa recuperação dos pré-socráticos, que é uma tradição alemã desde Nietzsche, sobretudo, mas também de Hegel[4], embora este esteja mais ao lado de Aristóteles, o que leva a um movimento não de retorno e recuperação das fontes da cultura, da história, do pensamento, da ciência, da arte. Isso é a grande influência que sofre o pensamento de Heidegger, um pensamento cuja originalidade é a sua origem.

IHU On-Line – Em quais aspectos Heidegger influencia o desconstrutivismo e por quê?
Emmanuel Carneiro Leão – Sua influência se dá porque, para se chegar a essa fonte de originariedade do pensamento pré-socrático, há uma necessidade de desvincular-se, desvencilhar-se das respostas já dadas, dos padrões de pensamento e conhecimento já estabelecidos até aqui. Então é preciso se desconstruir o que se constitui a tradição do pensamento, do conhecimento e da arte para poder abrir caminho e libertar a experiência para o originário.

IHU On-Line – De que maneira podemos compreender a afirmação do filósofo de que "chegamos muito tarde para os deuses e muito cedo para o ser"?
Emmanuel Carneiro Leão – A nossa tradição entende a realidade como sendo o resultado não de uma atividade de sentido ou de criação, de um princípio absoluto. Com a modernidade não temos mais essa consciência e essa necessidade, por isso, somos modernos à medida que perdemos essa necessidade. Isso significa que chegamos tarde para os deuses, no entanto, com a modernidade, para conseguir-se isso houve uma mudança nos padrões de relacionamento do homem europeu ocidental, que é a respeito de quem estamos falando. Essa mudança aconteceu porque o homem de agora não quer mais receber, como o homem religioso de antes, os parâmetros e os padrões e princípios de como ele tem que viver. Ele quer, ele mesmo, assumir a construção de sua cultura, sua sociedade, sua vida, seu pensamento, seu conhecimento. O homem moderno é aquele que quer transformar a realidade e não apenas aceitá-la como ela é. A perda dessa perspectiva de aceitação leva consigo também uma experiência de criação, o que significa que, para sermos criadores, não temos que nos deixar sufocar pela forma de conhecimento transformadora da realidade. Por isso, chegamos cedo demais para essa experiência de doação criadora do real.

Téchne em minimum minimorum

Entre os gregos combinar os termos téchne (arte, destreza) e logos (palavra) orientava o discurso sobre o sentido e a finalidade das artes - técnica e arte no mundo grego possuíam apenas uma pequena distinção, a téchne não era uma habilidade qualquer e requeria o uso de certas regras. Heródoto, o primeiro a definir o termo téchne, apresenta-o como um "saber fazer de forma eficaz" e, segundo Platão, seu sentido diz respeito à "realização material e concreta de algo". A natureza inteligente do homem permite-lhe transformar pela téchne a realidade natural em uma realidade artificial com a finalidade de sua subsistência e proteção. Conforme Aristóteles, a téchne é superior à experiência, mas inferior ao raciocínio. Entretanto demanda este último. Em relação ao conhecimento, enquanto a epistéme era para os gregos um conhecimento teórico a téchne era um conhecimento prático, com vistas a um objetivo concreto.

Na Idade Média o termo ars era empregado com a mesma acepção da téchne grega, porém a ars mechanica foi aos poucos assumindo as características do termo técnica tal como o entendemos hoje.

Na Idade Moderna a técnica foi incorporada ao saber (ciência). Esta fusão abriu um novo espaço de conhecimento - a tecnologia - uma técnica que emprega conhecimentos científicos e que, por sua vez, fundamenta a ciência, quando lhe dá uma aplicação prática. A tecnologia é então o conhecimento aplicado.

...

Bonito isso.

Um pouco de Sophia

Os filósofos da antiguidade dividem-se em duas grandes correntes - materialistas e idealistas. O termo materialista significa aqueles que acreditam que o universo (tudo o que existe) é formado de matéria, inclusive as idéias são resultado do movimento da matéria (ou de energia, que é matéria, como mostrou Einstein). Os idealistas são aqueles que acreditam que existe uma origem, ou ponto de origem, ou ser superior que tudo criou.

Os filósofos Pré-socráticos ou filósofos da physis, que buscavam a arché, que era um princípio que, além de ser o princípio de todas as coisas, deveria também compor (ou fazer parte de) todas as coisas, e mesmo ser o fim último de todas as coisas.

Os filósofos, considerados pioneiros da filosofia ocidental, buscavam um princípio, a arché, que deveria ser um princípio presente em todos os momentos da existência de tudo. Essa arché deveria estar no início, no desenvolvimento e no fim de tudoEstes filósofos são chamados da physis porque suas investigações giravam em torno do mundo material e físico, embora a arché pudesse ser algo não físico: números ou a-peiron (uma "coisa" incriada e sem um começo).

Texto completo aqui.

mode Escritor on

"É curioso o destino do escritor. No início é barroco, vaidosamente barroco e ao cabo de anos pode lograr, se lhe são favoráveis os astros, não a simplicidade, que não é nada, mas a modesta e secreta complexidade."

Jorge Luis Borges

domingo, 29 de junho de 2008

The Begginers Guide to Absinthe


The Hire by BMW

Carta da Transdisciplinaridade

(adotada no Primeiro Congresso Mundial da Transdisciplinaridade, Convento de Arrábida, Portugal, 2-6 novembro 1994)

Preâmbulo
Considerando que a proliferação atual das disciplinas acadêmicas conduz a um crescimento exponencial do saber que torna impossível qualquer olhar global do ser humano;
Considerando que somente uma inteligência que se dá conta da dimensão planetária dos conflitos atuais poderá fazer frente à complexidade de nosso mundo e ao desafio contemporâneo de autodestruição material e espiritual de nossa espécie;
Considerando que a vida está fortemente ameaçada por uma tecnociência triunfante que obedece apenas à lógica assustadora da eficácia pela eficácia;
Considerando que a ruptura contemporânea entre um saber cada vez mais acumulativo e um ser interior cada vez mais empobrecido leva à ascensão de um novo obscurantismo, cujas conseqüências sobre o plano individual e social são incalculáveis;
Considerando que o crescimento do saber, sem precedentes na história , aumenta a desigualdade entre seus detentores e os que são desprovidos dele, engendrando assim desigualdades crescentes no seio dos povos e entre as nações do planeta;
Considerando simultaneamente que todos os desafios enunciados possuem sua contrapartida de esperança e que o crescimento extraordinário do saber pode conduzir a uma mutação comparável à evolução dos humanóides à espécie humana;
Considerando o que precede, os participantes do Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade (Convento de Arrábida, Portugal 2 - 7 de novembro de 1994) adotaram o presente Protocolo entendido como um conjunto de princípios fundamentais da comunidade de espíritos transdisciplinares, constituindo um contrato moral que todo signatário deste Protocolo faz consigo mesmo, sem qualquer pressão jurídica e institucional.

Artigo 1: Qualquer tentativa de reduzir o ser humano a uma mera definição e de dissolvê-lo nas estrutura formais, sejam elas quais forem, é incompatível com a visão transdisciplinar.

Artigo 2: O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regidos por lógicas diferentes é inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir a realidade a um único nível regido por uma única lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade.

Artigo 3: A transdisciplinaridade é complementar à aproximação disciplinar: faz emergir da confrontação das disciplinas dados novos que as articulam entre si; oferece-nos uma nova visão da natureza e da realidade. A transdisciplinaridade não procura o domínio sobre as várias outras disciplinas, mas a abertura de todas elas àquilo que as atravessa e as ultrapassa.

Artigo 4: O ponto de sustentação da transdisciplinaridade reside na unificação semântica e operativa das acepções através e além das disciplinas. Ela pressupõe uma racionalidade aberta por um novo olhar, sobre a relatividade definição edas noções de "definição"e "objetividade". O formalismo excessivo, a rigidez das definições e o absolutismo da objetividade comportando a exclusão do sujeito levam ao empobrecimento.

Artigo 5: A visão transdisciplinar está resolutamente aberta na medida em que ela ultrapassa o domínio das ciências exatas por seu diálogo e sua reconciliação não somente com as ciências humanas mas também com a arte, a literatura, a poesia e a experiência espiritual.

Artigo 6: Com a relação à interdisciplinaridade e à multidisciplinaridade, a transdisciplinaridade é multidimensional. Levando em conta as concepções do tempo e da história, a transdisciplinaridade não exclui a existência de um horizonte trans-histórico.

Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui uma nova religião, uma nova filosofia, uma nova metafísica ou uma ciência das ciências.

Artigo 8: A dignidade do ser humano é também de ordem cósmica e planetária. O surgimento do ser humano sobre a Terra é uma das etapas da história do Universo. O reconhecimento da Terra como pátria é um dos imperativos da transdisciplinaridade. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade, mas, a título de habitante da Terra, é ao mesmo tempo um ser transnacional. O reconhecimento pelo direito internacional de um pertencer duplo - a uma nação e à Terra - constitui uma das metas da pesquisa transdisciplinar.

Artigo 9: A transdisciplinaridade conduz a uma atitude aberta com respeito aos mitos, às religiões e àqueles que os respeitam em um espírito transdisciplinar.

Artigo 10: Não existe um lugar cultural privilegiado de onde se possam julgar as outras culturas. O movimento transdisciplinar é em si transcultural.

Artigo 11: Uma educação autêntica não pode privilegiar a abstração no conhecimento. Deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar. A educação transdisciplinar reavalia o papel da intuição, da imaginação, da sensibilidade e do corpo na transmissão dos conhecimentos.

Artigo 12: A elaboração de uma economia transdisciplinar é fundada sobre o postulado de que a economia deve estar a serviço do ser humano e não o inverso.

Artigo 13: A ética transdisciplinar recusa toda atitude que recusa o diálogo e a discussão, seja qual for sua origem - de ordem ideológica, científica, religiosa, econômica, política ou filosófica. O saber compartilhado deverá conduzir a uma compreensão compartilhada baseada no respeito absoluto das diferenças entre os seres, unidos pela vida comum sobre uma única e mesma Terra. A

rtigo 14: Rigor, abertura e tolerância são características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar. O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às idéias e verdades contrárias às nossas.

Artigo final: A presente Carta Transdisciplinar foi adotada pelos participantes do Primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, que visam apenas à autoridade de seu trabalho e de sua atividade. Segundo os processos a serem definidos de acordo com os espíritos transdisciplinares de todos os países, o Protocolo permanecerá aberto à assinatura de todo ser humano interessado em medidas progressistas de ordem nacional, internacional para aplicação de seus artigos na vida.

Convento de Arrábida, 6 de novembro de 1994
Comitê de Redação
Lima de Freitas, Edgar Morin e Basarab Nicolescu

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Já houve um segundo congresso, em Vilha Velha/ES, cuja carta de encerramento pode ser lida aqui.

Um pouco mais sobre a seriedade desse campo de estudos e suas aplicações pelos interstícios deve afluir da leitura abaixo. Definitivamente não é mais uma corrente 'esotérica', tendo base científica principalmente pela obra do francês Edgar Morin, com base no pensamento complexo. Jouez.

A partir do I Congresso Mundial da Transdisciplinaridade, realizado em Arrábida, Portugal - 1994 e do I Congresso Internacional, realizado em Locarno, Suiça - 1997, ambos organizados pelo CIRET Centre International de Recherches et d'Études Transdisciplianaires de Paris e pela UNESCO, foram definidos os três pilares da metodologia transdisciplinar: a Complexidade, a Lógica do Terceiro Incluído e os Níveis de Realidade.

O olhar transdisciplinar nos remete a um todo significativo que emerge de um diálogo constante entre a parte e o todo, e os três pilares da Transdisciplinaridade permitem que ela também encontre seu lugar na pesquisa e na aplicação. O olhar transdisciplinar busca encontrar os princípios convergentes entre todas as culturas, para que uma visão e um diálogo transcultural, transnacional e transreligioso possam emergir, o que leva também à relativização radical de cada olhar, mas sem cair no relativismo, uma vez que a Transdisciplinaridade nos permite encontrar o mundo comum o/a concordia mundis e o terceiro incluído entre cada par de contraditórios.

Google it.

Dogville


sábado, 28 de junho de 2008

Jornalismo

"Journalism is printing what someone else does not want printed; everything else is public relations."

George Orwell

Dê a cara ao tapa

"Criticism is something you can avoid easily by saying nothing, doing nothing, and being nothing"

- Aristotle

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Darwinismo Moderno

When one person suffers from a delusion, its called insanity;
When many people suffer from a delusion, its called religion.

Richard Dawkings, autor do Gene Egoísta

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Particularmente eu vejo um papel sociológico importante na religião universal, mas certamente o dr. está criticando as várias formas de fundamentalismo e a ignorância dos níveis mais anímicos da religiões. E com isso estou com ele, apesar de não participar ativamente dessa luta pelo tremendo trabalho e chatice que é discutir assuntos com quem não quer ouvir. Deixo isso pra quem se sente nessa ingrata missão.

Provavelmente por ser vítima de possível extermínio fascista de alguma casta sacerdotal.

É tudo uma questão de tempo

Não deixem de visitar: http://www.instantrimshot.com/

Eu sorri.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Administrar

À medida que o ambiente se torna mais instável e turbulento, maior a necessidade de opções diferentes para a solução dos problemas e situações que se alteram e se diferenciam de maneira crescentemente diversa. À medida que o administrador cresce e se desloca dos trabalhos operacionais e orientados para o campo da ação e da operação para atividades administrativas orientadas para o campo do diagnóstico e decisão, maior a necessidade de se fundamentar em conceitos, idéias, teorias e valores que permitam orientação de seu comportamento, pois este influenciará o de todos aqueles que trabalham sob sua direção e orientação. Basicamente, administração significa planejar o que será feito, preparar o futuro que virá, botar ordem nas coisas, alinhar recursos, tecnologias e competências, convergir tudo isso em direção a um objetivo predeterminado, fazer as coisas acontecerem, criar condições para gerar valor e criar riqueza, atender às expectativas de todos os grupos de interesses (stakeholders) envolvidos, monitorar continuamente o desempenho e, sobretudo oferecer resultados.

Idalberto Chiavenato

Sobre a Saúde

A palavra saúde vem diretamente do latim salus, salutis (Pronuncia-se /sálus, salútis/) e, mais remotamente, do radical indo-europeu, língua hipotética criada por lingüistas do século XIX para explicar a evolução de um tronco de línguas, sal–, sol–, com o sentido de “inteiro”, “intacto”. Assim, dá a idéia de “integralidade”, isto é, harmonia de todas as partes para formar um todo.

Dr. Luiz Machado

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Amadurecer

"No dia em que permitirem que homens abomináveis tornem a confiscar-lhes a liberdade, o dinheiro, a vida, a propriedade, a hombridade, a honra sagrada em nome da "segurança" ou da emergência nacional, vocês morrerão e nunca tornarão a ser livres. Pois lembrem-se, se morrerem na prisão, terão sido vocês a construí-las.....

O povo é sempre responsável por legisladores perversos, opressores, exploradores, criminosos, tiranos, ladrões, mentirosos, malfeitores e assassinos em toda parte do mundo.- Você, o homem da rua, o homem da fábrica e da loja, o homem do campo, do escritório, seja onde for, é culpado pelas criaturas que atentaram tão monstruosamente contra você, e tornarão a atentar, com o seu consentimento. Não clamem a Deus, se repetirem seus erros. Homens abjetos tentarão sempre escravizá-los até o fim dos tempos. Está em suas mãos derrotá-los e destruí-los sempre que aparecerem. Se não o fizerem, que o destino tenha piedade do seu futuro"

Taylor Caldwell J.- in A Hora da Verdade.

Quadrantes da Filosofia Integral

Achei interessante e ainda não tive tempo de digerir bem essas informações, mas fazem parte de um estudo sobre dinâmica das espirais que venho fazendo. Me desculpem o trabalho ainda mal feito aqui no blogue, está mais para um repositório de idéias do que um de síntese como uma idéia de blogue ideal que acalento e um dia ainda farei, bem minimalista. Enfim, os tais quadrantes:

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Os quadrantes foram criados por Ken Wilber, psicólogo e filósofo integral, norte-americano, que através de uma ampla análise social e histórica expandiu o seu conceito de níveis de consciência individual para outras áreas da vida como o quadro abaixo resumidamente demonstra:

1º quadrante
Eu (I)
Estética
Auto-identidade
Cognição
Afeto
Necessidades

2º quadrante
Material (IT)
Exterior Individual
Fisiologia
Comportamentos

3º quadrante
Nós (WE)
Moral
Visão de mundo
Lingüística
Estrutura de crenças

4º quadrante
(ITS)
Exterior coletivo
Ciência
Finanças

Stranger than Fiction


Sobre a Admninistração

"Sabemos que a evolução da administração acarreta profunda modificação no perfil do administrador. Esse profissional, responsável pela evolução dos grupos sociais formais sob sua responsabilidade..."

Apresentação de um livro de Introdução à Administração, de Eunice Kwasnicka.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Inae

O Instituto Nacional de Altos Estudos, Inae, criado em 1991, é uma associação civil, sem fins lucrativos, com sede à rua Sete de Setembro, 71, 8º andar, Rio de Janeiro, RJ.
O Inae tem por finalidades o debate de idéias e a formulação de políticas e estratégias voltados para o desenvolvimento e a modernização do Brasil, em suas dimensões econômico-social, político-institucional e cultural.
Com esses propósitos, o Inae:

I - realiza estudos e pesquisas de natureza econômico-financeira, sociológica, político-institucional e cultural, bem como de caráter interdisciplinar;

II - colabora com entidades públicas e privadas na elaboração ou acompanhamento de estudos e pesquisas consentâneos com suas finalidades;

III - organiza os Fóruns Nacionais, bem como conferências, seminários, simpósios e oficinas de trabalho, visando à apresentação e discussão dos estudos e pesquisas promovidos, bem como de outras análises e propostas julgadas relevantes;

IV - divulga pelos meios de comunicação e através de publicações, os resultados de suas atividades.

Com o Inae, o Fórum Nacional foi formalizado e ganhou permanência. Esse importante evento anual é o carro-chefe do programa de trabalho do Instituto.

http://www.forumnacional.org.br/

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Momento

Funcionalismo

“the determination of function is…necessary for the complete explanation of the phenomena”

-Talcott Parsons

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É interessante essa visão funcionalista da fenomenologia, que junto com uma classificação dos atores sociais é o que sei sobre o assunto no momento. Os fenômenos são vistos nesse viés não pelo lado filosófico, mas do lado sociológico, relacional, contando tanto os atributos manifestos da função quanto suas funções latentes.

Eis as atitudes com que se confronta o ator social:

*Conformity occurs when an individual has the means and desire to achieve the cultural goals socialised into him.
*Innovation occurs when an individual strives to attain the accepted cultural goals but chooses to do so in novel or unaccepted method.
*Ritualism occurs when an individual continues to do things as proscribed by society but forfeits the achievement of the goals.
*Retreatism is the rejection of both the means and the goals of society.
*Rebellion is a combination of the rejection of societal goals and means and a substitution of other goals and means.


E mais:

A social function is "the contribution made by any phenomenon to a larger system of which the phenomenon is a part." (Hoult 1969: 139) This technical usage is not the same as the popular idea of a function as an "event/occasion" or a duty, responsibility, or occupation. A distinction, first made by Robert K. Merton, is made between manifest and latent functions (Marshall 1994: 190-1) and also between functions with positive (functional or positively functional) and negative (dysfunctional) effects (Hoult 1969: 139). "Any statement explaining an institution as being 'functional or 'dysfunctional' for men [sic] could readily be translated with no loss of meaning into one that said it was 'rewarding' or 'punishing.'" (Homans 1962:33-4)

Functional alternative (also functional equivalent or functional substitute) indicates that, "just as the same item may have multiple functions, so may the same function be diversely fulfilled by alternative items." (Merton 1957: 33-4) The concept may serve as an antidote to "the gratuitous assumption of the functional indispensability of particular social structures." (ibid: 52)

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Sociobiologie commande!

Durkein e o fato social

Sua interpretação de sociedade está diretamente relacionada ao estudo do fato social, que para ele apresenta características específicas: exterioridade e a coercitividade. O fato social é exterior na medida em que existe antes do próprio indivíduo e coercitivo na medida em que a sociedade impõe tais postulados, sem o consentimento prévio do indivíduo.

domingo, 22 de junho de 2008

Cinema Novo

Não é, portanto, dizendo “não sou mais um pequeno-burguês, movimento-me livremente no universal” que o intelectual pode se unir aos trabalhadores. É, justamente ao contrário, pensando: “sou um pequeno-burguês; se para tentar resolver minha contradição, alinhei-me ao lado da classe operária e camponesa, não deixei por isso de ser um pequeno-burguês”
(Sartre).

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Para ler sobre o cinema novo, veja aqui, aqui, aqui e aqui. Já sei que depois desse movimento houve o nascimento do cinema marginal, mas fica pra outra vez...

Ram Charan

Ram Charan é um dos maiores consultores do mundo atualmente em recursos humanos e empowerment. É indiano, como o nome sugere, e aos 67 anos acaba de comprar seu primeiro apartamento, porque não casou nem teve filhos para se dedicar ao trabalho em tempo integral. Hoje tem reconhecimento no mundo corporativo e diz seus 10 princípios para o desenvolvimento sustentável e empreendimentos sociais:

1 – Defina a causa, a missão, quais os resultados que se pretende e como dimensionar esses resultados. "É preciso usar a mente e buscar resultados mensuráveis", explicou.

2 – Busque o comprometimento local. Identifique quem são as pessoas que podem se comprometer localmente com a causa.

3 – Converse com essas pessoas, dialogue com elas até alcançar o consenso. A partir do consenso o interesse se intensifica.

4 – Neste ponto entram as empresas. As empresas podem usar a mente, o raciocínio para projetar sistemas que permitam tornar um produto ou serviço acessível, na base, por exemplo, de 1 dólar. "Não ter dinheiro é uma situação que força a inovação", disse Charan.

5 – Projete um sistema. Mas é preciso ter em mente que o sistema só vai funcionar se as pessoas executoras concordarem com esse sistema. Caso contrário, é preciso voltar ao diálogo.

6 – Identifique líderes na comunidade. Pessoas de paixão e confiáveis. Segundo Charan, nenhum grupo de pessoas ou comunidade alcança a sustentabilidade sem um líder, seja ele eleito, indicado informalmente ou escolhido.

7- Não busque a publicidade e o elogio pelo sucesso alcançado. "A satisfação pessoal não é medida pela publicidade da sua iniciativa", disse.

8- Mantenha reuniões periódicas com pessoas de empresas, universidades, autoridades públicas. Estabeleça prioridades, mas não queira nunca abraçar o mundo. Escolha três prioridades, com base na sua causa, nos resultados e mensuração dos resultados. Use palavras exatas, evitando conceitos e definições genéricas.

9 – Busque a criatividade do grupo envolvido no trabalho. É preciso identificar quais os recursos, em termos de criatividade, com que se pode contar para o desenvolvimento das ações.

10 – Tenha em mente que a vida é a felicidade. Seja feliz e, mais importante, faça outras pessoas felizes.

Zeitgeist

Whoever marries the zeitgeist will be a widower soon or in the near future.
- August Everding

Opinions that deviate from the ruling zeitgeist always aggravate the crowd.
- Germaine de Staël

Something to Tell You

“Eu sou um assistente de autobiógrafos, parteiro das fantasias dos meus clientes, reabrindo suas feridas, liberando suas vozes, transformando falas em signos eróticos, desmascarando seus desejos como ilusões”.

do personagem Analista de "Something to Tell You", do autor Hanif Kureishi, livro recém lançado em Londres.

sábado, 21 de junho de 2008

Moog Guitar

Pérola de Keynes

de John Maynard Keynes, em "Perspectivas para os Netos":

"A desocupação devida à descoberta de instrumentos que fazem com que se economize mão-de-obraq progride a um ritmo mais rápido do que o ritmo com que conseguimos criar novos empregos para esta mesma mão-de-obra. Mas é somente uma fase de desequilíbrio transitório. Observado numa perspectiva mais ampla, isto significa, na verdade, que a humanidade está progredindo em direção à solução do seu problema econômico... Portanto, pela primeira vez depois da sua criação, o homem se verá diante do seu verdadeiro e constante problema: como utilizar a sua liberação dos problemas mais opressores ligados à economia, como empregar o tempo livre que a ciência lhe proporciona, para viver bem, prazeirosamente e com sabedoria... Mas serão somente aqueles que saberão manter viva e conduzir até à perfeição a própria arte de viver, e que não se vendem em troca dos meios de subsistência, que poderão gozar desta abundância, quando ela chegar."

Keynes foi um dos criadores da moderna teoria Macroeconômica e até hoje é considerado um dos maiores pensadores econômicos do mundo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mikhail Bakunin

"Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (...) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna desse nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (...)"


"Assim, sob qualquer ângulo que se esteja situado para considerar esta questão, chega-se ao mesmo resultado execrável: o governo da imensa maioria das massas populares se faz por uma minoria privilegiada. Esta minoria, porém, dizem os marxistas, compor-se-á de operários. Sim, com certeza, de antigos operários, mas que, tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e por-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo. Quem duvida disso não conhece a natureza humana."

...

Não digo que isso seja ruim, sou um estudante de política ainda, porém concordo com o anarquismo como forma de protesto, de ação direta, no conceito de kalokagathia grega, sempre. Quem me inspirou aliás a fazer este post não foi Bakunin, mas Noam Chomsky em seus ideais políticos. Muito da tecnocracia de hoje não respeita e não tem capacidade de gerir a biomassa, e muitos dos trabalhadores são influenciados pelos meios de comunicação de massa, também nas mãos da mesma classe política e sua agenda sórdida.

Nesses termos a anarquia, as TAZ e as formas de minar o poder podre são aceitáveis e parte de qualquer agenda política virtuosa e demasiadamente humana.

Noam Chomsky e as Ilusões Necessárias

por Jorge silva

Discretamente, anonimamente, no segredo que é o que caracteriza toda a programação televisiva alternativa ao monopólio global, a Rede Cultura do Brasil transmitiu o imperdível documentário “Consenso Fabricado” uma série de três capítulos sobre a vida e obra do pensador libertário norte-americano Noam Chomsky. Centrada nas análises mais polemicas e lúcidas de Chomsky, o documentário discute o papel contemporâneo dos mídia na fabricação do consenso na sociedades de massas.

Noam Chomsky nasceu em Filadélfia em 1928 de família judia ucraniana. Desde cedo se aproximou das idéias libertárias de pensadores judeus como Martin Buber, Gershom Scholem e da tradição dos emigrantes anarco-sindicalistas. Professor do MIT (Massachusetts Institute of Technology), aos 30 anos já era internacionalmente famoso pelas suas pesquisas em lingüística e suas teorias revolucionárias sobre estrutura da linguagem: a gramática generativa.

Aquele que podia ter sido um pacato e famoso professor universitário, não compactuou, no entanto, com o poder. Tal como havia feito nos anos 30 - quase criança- manifestando sua solidariedade aos libertários espanhóis vítimas do fascismo de Franco, nos anos 60 foi um dos principais intelectuais presentes na oposição à guerra do Vietnã participando também das lutas dos direitos civis que abalaram o establishment norte- americano. Chomsky mostrou como um intelectual pode viver duas vidas: a dum cientista brilhante e a do engajamento nas causas sociais. A partir daí podemos encontrar ao lado da obra do famoso lingüista, as análises ácidas do analista independente capaz de escrever Os Novos Mandarins, Ano 501: A Conquista Continua ou As Ilusões Necessárias: O Controle do Pensamento nas Sociedades Democráticas. Uma obra que se estende por mais de cinqüenta livros traduzidos em todo o mundo.

A maior parte do seu tempo fora do MIT e da pesquisa universitária é gasto dando conferências para grupos comunitários e alternativos por toda a América do Norte. Para ele compromisso social é isso: defesa da liberdade, da justiça e da autonomia dos cidadãos. Essa radical generosidade tanto se manifesta na oposição à arrogância imperial norte-americana, quanto na solidariedade aos palestinos -ele que é um judeu-, ou no apoio à causa do povo maubere de Timor, essa ilha perdida na Oceania, onde se fala o português.

De forma desconcertante, desmontando os discursos dos intelectuais e especialistas da sociedade do espetáculo, Chomsky afirma: “Para analisar as ideologias, basta um pouco de abertura de espírito, de inteligência e um cinismo saudável. Todo o mundo é capaz de fazê-lo. Temos de recusar que só os intelectuais dotados de uma formação especial são capazes de trabalho analítico. Na realidade, isso é o que alguns nos querem fazer querer...”

Talvez por essa sua independência, sua autonomia, Noam Chomsky tem sido um intelectual suspeito para a esquerda dogmática, até porque sua visão libertária sempre o fez duvidar dos caminhos autoritários do socialismo de estado. Nos anos 80 afirmava: “Para a esquerda, a queda da tirania soviética foi uma alegria e uma pequena vitória. Sempre é positivo que desapareça uma forma de opressão.” Talvez por isso sua obra seja tão herética para as grandes editoras dos EUA, quanto para as confrarias da esquerda brasileira. Por essa razão a dificuldade de encontrar algumas das obras fundamentais de Chomsky em língua portuguesa, e também por isso o silêncio na universidade brasileira em relação ao mais conhecido e influente pensador norte-americano, contrastando com a omnipresença dos mais medíocres pensadores da ortodoxia marxista.

Mas pensar independentemente na sociedade de massas, onde os mídia domesticam o pensamento e fabricam os consensos -essa é opinião de Chomsky- é talvez o maior desafio dos intelectuais da nossa época. “O cidadão só tem uma maneira de defender-se do sistema de propaganda: o de adquirir algum controle sobre sua vida, vencendo o isolamento e organizando-se”, “as idéias da livre associação, do controle popular das instituições e de derrubada das estruturas autoritárias são o caminho da liberdade e da democracia.”

Segundo Chomsky a “fabricação de ilusões necessárias para a gestão social é tão velha como a história.” mas, foi a partir do começo do nosso século com o autoritarismo comunista e fascista que se criou o atual “modelo de propaganda” onde a instrumentalização dos cidadãos se faz através dos mais poderosos meios de manipulação de massas criados até hoje pelo o homem: a imprensa, o radio e a televisão.

Para os que o acusam de maniqueísmo, Chomsky responde com estudos documentados e detalhados do comportamento dos mass media americanos face aos grandes acontecimentos, particularmente da política externa norte-americana, demonstrando a cínica e distinta forma de tratar o genocídio no Cambodja e em Timor, a repressão em Cuba e na Guatemala, a violência palestina e israelense...

Esta análise “pode produzir a impressão de que o sistema é todo poderoso, o que está longe de ser verdade. As pessoas estão capacitadas para resistir, e às vezes fazem-no, com efeitos consideráveis.” Este otimismo vem da “da tradição que afirma que os seres humanos tem um instinto de liberdade e que tratam de ampliar ao máximo sua própria liberdade e a dos demais; que têm um impulso de solidariedade e empatia. “

Só que a fabricação do consenso nas sociedades democráticas, a manipulação e o isolamento são um obstáculo a esse potencial social positivo. “Uma nova tecnologia como a televisão é muito útil, porque produz o efeito de isolar as pessoas. Cada indivíduo está só diante da tela. Não se comunica com ninguém, nem atua em comum, nem se organiza. “; uma das razões é que “os indivíduos devem estar sozinhos, enfrentando o poder centralizado e os sistemas de informação de forma isolada, para que não possam participar de modo significativo na administração dos assuntos públicos.” O cidadão comum, para quem Chomsky continuamente afirma escrever seus livros, pode vencer o isolamento. “Se as pessoas com um poder limitado querem fazer algo, seja vencer o sistema de propaganda ou simplesmente adquirir algum controle sobre suas vidas, têm que criar organizações que lhes proporcionem uma força para contrapor aos principais centros do poder e quem sabe expandir essa força em outras direções.”

Mas o crítico da manipulação e do consenso fabricado, é também o grande especialista do estudo da linguagem -sinal de identidade definidora da espécie - e acredita na virtualidade da interação comunicativa. Mas para isso teria que haver mudanças substanciais no comportamento dos cidadãos, capazes de olhar criticamente a informação, “ler com lupa, com cuidado para não tropeçar em armadilhas”, dos jornalistas que deveriam “contar a verdade. Terem honestidade pessoal, coragem - até para perder o emprego - talento” e principalmente “uma política de comunicações democrática, que deveria tentar desenvolver meios de expressão e interação que reflitam os interesses e as preocupações da população em geral, fomentem sua auto-educação e sua ação individual e coletiva.”

Texto publicado no Anexo Cultural do jornal A Notícia (Joinville/SC), 1 de maio de 1996

Desconstruindo Harry

de Woody Allen

Pós-Estruturalismo

"(...) the entire history of the concept of structure, before the rupture of which we are speaking, must be thought of as a series of substitutions of centre for centre, as a linked chain of determinations of the centre. Successively, and in a regulated fashion, the centre receives different forms or names. The history of metaphysics, like the history of the West, is the history of these metaphors and metonymies. Its matrix [...] is the determination of Being as presence in all senses of this word. It could be shown that all the names related to fundamentals, to principles, or to the centre have always designated an invariable presence – eidos, archē, telos, energeia, ousia (essence, existence, substance, subject), alētheia, transcendentality, consciousness, God, man, and so forth."

"Structure, Sign and Play" in Writing and Difference, p. 353 - Jacques Derrida

...

Fortemente recomendo para uma melhor visão deste controverso acadêmico da escola francesa de 68 o artigo da Wikipedia em inglês, aqui.

Logocentrismo

Le Logocentrisme indique la tendance d'un discours à s'enfermer dans la propre logique de son langage et à le considérer comme modèle de référence.

Derrida

Jacques Derrida foi um dos ícones da Abordagem Pós-Modernista na Teoria das Organizações - TO. Para Derrida, a teoria da desconstrução consiste em desfazer o texto, a partir do modo como este foi organizado originalmente para que, assim, sejam revelados seus significados ocultos. Para alguns, a desconstrução pode sugerir uma destruição, mas trata-se do oposto, pois ela busca encorajar a pluralidade de discursos, legitimando a não existência de uma única verdade ou interpretação, com um caráter de disseminação de possíveis e novas verdades. Para este filósofo, o processo de racionalidade instrumental aprisiona as ações sociais.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Derrida

A Geometria

Thèses du Lipovetsky

Dans l'un de ses principaux ouvrages (L'ère du vide), Gilles Lipovetsky analyse une société « post-moderne » marquée, selon lui, par un désinvestissement de la sphère publique, une perte de sens des grandes institutions collectives sociales et politiques, et une culture « ouverte » à base de régulation « cool » des rapports humains (tolérance, hédonisme, personnalisation des processus de socialisation, éducation permissive, libération sexuelle, humour). Vision de la société qui met en avant un néo-individualisme de type narcissique et plus exactement ce que Lipovetsky appelle « la seconde révolution individualiste »

Pour Gilles Lipovetsky cette seconde révolution individualiste s'exprime dans les moeurs (L'Ere du vide), dans la mode (L'empire de l'éphémère) mais aussi dans la sphère éthique (Le crépuscule du devoir) marquée par l'effondrement des idéaux sacrificiels et la montée d'une éthique indolore et circonstancielle, plurielle et émotionnelle. Il refuse toutefois d'assimiler cette individualisation à la « fin de la morale » et à la déchéance de toutes les valeurs.

de Gilles Lipovetsky, sociólogo francês.

Humanismo Secular

O Humanismo Secular também conhecido por Humanismo Laico é um termo que tem sido usado nos últimos trinta anos para descrever uma visão de mundo com os seguintes elementos e princípios:

  • Uso da razão, do método científico e da evidência factual em lugar de fé ou de misticismo, na busca de soluções e respostas para as questões humanas mais importantes.
  • Certeza de que dogmas, ideologias e tradições religiosas, políticas ou sociais devem ser avaliados e testados, em vez de simplesmente aceitos por uma questão de fé.
  • Busca da satisfação, do desenvolvimento e da criatividade, para o indivíduo e para a humanidade em geral.
  • Preocupação com a vida presente e compromisso de dotá-la de sentido através de um melhor conhecimento de nós mesmos, de nossa história, das nossas conquistas intelectuais e artísticas e das perspectivas daqueles que diferem de nós.
  • Busca por princípios viáveis de conduta ética (tanto individuais quanto sociais e políticos), julgando-os por sua capacidade de melhorar o bem-estar humano e a responsabilidade individual.
  • Busca constante pela verdade objetiva, levando em consideração que nossa percepção dessa verdade é imperfeita e que ela pode ser alterada por novos conhecimentos e experiências.
  • Certeza de que com razão, boa vontade e tolerância, pode-se progredir na construção de um mundo melhor para todos nós.
A organização não governamental norte-americana Council for Secular Humanism aponta uma lista de Humanistas Seculares notórios ao longo da História:

Outras fontes apontam as seguintes pessoas como Humanistas Seculares:

No Brasil:

Pasárgada

de Manoel Bandeira

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Compliance

O termo Compliance tem origem no verbo em inglês to comply, que significa agir de acordo com uma regra, um comando ou um pedido. No âmbito institucional e corporativo, Compliance é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer.

Compliance é muito presente em instituições e empresas do mercado financeiro, mas tem se estendido para as mais diversas organizações privadas e governamentais, especialmente aquelas que estão sujeitas a forte regulamentação e controle.

Service Oriented Architecture

O serviço, no ponto de vista da arquitetura SOA, é uma função de um sistema computacional que é disponibilizado para outro sistema na forma de um serviço. Um serviço deve funcionar de forma independente do estado de outros serviços e deve possuir interface bem definida. Normalmente, a comunicação entre o sistema cliente e aquele que disponibiliza o serviço é realizada através de web services.

...

Não é à toa que existe na árvore da vida da Cabala uma sephira de nome Binah. E abstraindo os conceitos, a capacidade de entender a mente e a realidade quanticamente evolui tanto com a nossa capacidade de processamento quanto do nosso entendimento dos processos computacionais.

Eis o futuro. E pensar que isso só se desvencilhou das artes místicas em 1932 com a machina universalis, a máquina de Turing, é realmente fascinante.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Kalokagathia

Kalokagathia è la traslitterazione di una parola greca.

Il termine kalokagathia esprime come sostantivo astratto il concetto condensato nella coppia di aggettivi καλός καγαθός ("kalòs kagathòs" è la crasi di καλός καi αγαθός), che significano letteralmente bello e buono.

Con questi termini si indicava nella cultura ellenica l'ideale di perfezione umana: l'unità nella stessa persona di bellezza e valore morale, un principio che coinvolge dunque la sfera etica ed estetica ed estende la propria influenza anche sull'arte ellenica.

Condomínio

Este é um condomínio em forma de ilhas imitando o mapa mundi, em Dubai. Cada uma dessas custa em torno de $ 7 milhões e só é acessada de barco ou helicóptero.

Isso naquele paraíso das tâmaras e petróleo.


E aí, que parte do mundo escolheria?

Parapsicologia Akáshica

http://sobrenaturarte.blogspot.com/2006/10/irmos-gnios.html

Falando Grego

Tenho pensado muito em termos gregos, isso porque a matriz latina, quando tomou contato com os gregos, se fascinou e assumiu sua cultura e seus Deuses, coisa riquíssima. Cresci ouvindo que falar grego significava falar de algo que ninguém entendia, e sumariamente o estudo e a cultura grega eram pra mim motivo de piada, fossem na cultura clássica ou nas epopéias de Homero, fossem sua virtude e odisséia ética ou seus relacionamentos com seus Deuses.

Conforme o amadurecimento foi vindo, fui me flexibilizando e questionando a cultura medíocre que permeia a criação da média burguesia, o que tem me aberto cada vez mais para a cultura grega com sua riqueza abertamente educativa e politicamente pública. Havia perversão, já pensavam ter atingido a maestria tecnológica, havia a escravidão, mas a arquitetura com o mármore e as formas de Phídias cativaram e até hoje são estudados como base para muitos cursos de doutorado. Aristóteles, o Renascimento, a Política, Platão, Sócrates, o Sofismo, palavras que eram escolas filosóficas como os Cínicos, os Hedonistas, os Estóicos. Sem sombra que a matriz da nossa civilização, o real segredo vem de lá. Desde reis a filósofos, de Deuses à democracia, as palavras e as idéias que povoam o imaginário que vivemos têm muito da marca da Grécia.

A razão deste post foi uma palavra em especial: Areté. A excelência. que falo outro dia.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Era Clitos (ris)

“A morada do homem é o extraordinário”
Heráclito

domingo, 15 de junho de 2008

Banausoi

Plato argued, and Aristotle follows him in this, although not in other things, that the pursuit of arete required leisure. Technical education was necessary but did not make good citizens. Leisure was a necessity of good citizenship something the banausoi do not have. Banausia deforms the body rendering it useless for military and political duties. Those occupations tire out the body and therefore the mind preventing self education by reading and conversing with others. "It accustoms a man's mind to low ideas, and absorbs him in the pursuit of the mere means of life."

Plato and Aristotle teach that the highest thing in man is reason and therefore, the purpose of human perfection lies with the activity of reason; i.e. the 'theoretic' or contemplative life. Trade, industry and mechanical labour prevent this idea. These activities are necessary for a good human condition of life but when these activities are merely regarded as means to making money and not as acts of service to truth, service to others and arete, then these, occupations become base.

...

Em tempo:

Banausos (Ancient Greek βάναυσος, plural βάναυσοι, banausoi) is an epithet of the class of manual laborers or artisans in Ancient Greece. The related abstract noun βαναυσίαbanausia is defined by Hesychius as "every craft (τέχνη) [conducted] by means of fire", reflecting the folk etymology of the word as coming from βαῦνος (baunos) "furnace" and αὔω (auō) "to dry". The actual etymology of the words is unknown; they are not attested outside Attic-Ionic or before the 5th Century B.C.. The epic heroes call their smiths δημιουργοίdēmiourgoi.

Banausos was used as a term of invective, meaning "cramped in body" (Politics 1341 a 7) and "vulgar in taste" (1337 b 7), by the extreme oligarchs in Athens in the 5th century BC, who were led by Critias. These were the Laconophiles who yearned for the good old times when there was none of this "equality" nonsense, and you could beat your neighbor's slave in the street (see Ps.-Xenophon: Constitution of Athens). In this usage, it refers to the laboring class as a whole; i.e. the artisans, such as potters, stone masons, carpenters, etc; professional singers; artists; musicians; and all persons engaged in trade or retail. It makes no distinction between slave or free.

Arete

Arete is a significant part of the paideia of ancient Greeks: the training of the boy to manhood. This training in arete included: physical training, for which the Greeks developed the gymnasion, mental training, which included oratory, rhetoric, and basic sciences, and spiritual training, which included music and what is called virtue.

Anatomia do Indo-Europeu

O delírio do Adolph

According to Paul Thieme (1938), the Vedic term arya- in its earliest attestations has a meaning of "stranger", but "stranger" in the sense of "potential guest" as opposed to "barbarian" (mleccha, dasa), taking this to indicate that arya was originally the ethnic self-designation of the Indo-Iranians. Arya directly contrasts with Dasa or Dasyu in the Rigveda (e.g. RV 1.51.8, ví jānīhy âryān yé ca dásyavaḥ "Discern thou well Aryas and Dasyus"). This situation is directly comparable to the term Hellene in Ancient Greece. The Middle Indic interjection arē!, rē! "you there!" is derived from the vocative arí! "stranger!".

The Sanskrit lexicon Amarakosha (c. AD 450) defines Arya as mahākula kulīnārya "being of a noble family", sabhya "having gentle or refined behavior and demeanor", sajjana "being well-born and respectable", and sādhava "being virtuous, honourable, or righteous". In Hinduism, the religiously initiated Brahmin, Kshatriya and Vaishyas were arya, a title of honor and respect given to certain people for noble behaviour. This word is used by Hindus, Buddhists, Jains and Zoroastrians to mean noble or spiritual.[4], for example, Four Noble Truths (Pali: Cattāri ariyasaccāni, Sanskrit: Catvāri āryasatyāni), and Noble Eightfold Path (Pāli: Ariyo aṭṭhaṅgiko maggo; Sanskrit: Ārya 'ṣṭāṅga mārgaḥ).

The Indo-Iranian term is from Proto-Indo-European *ar-yo-, from the same root as Sanskrit rta, Iranian asha. Root cognates without Indo-Iranian include a large constellation of associated concepts, such as Greek arete "virtue" , aristos "best", and ortho, in orthodoxy; Latin rectus and erectus, and all Romance derivatives, as well as German Recht and English right.

Sanskrit aryá- is an adjective meaning "kind", "favorable", or "devoted"[citation needed]. In nominalized usage, it can take a meaning of "master, lord". The vrddhi derivation ārya-' means "respectable", "honorable", "noble", and "belonging to the brahmin, kṣatriya, or vaiśya varṇas.". As a noun, ārya- means "an honorable or respectable man", "a master", "an owner", "a member of the three highest varṇas".

The important Sanskrit lexicon Amarakośa (ca. 450 AD) defines ārya thus: "An ārya is one who hails from a noble family, of gentle behavior and demeanor, good-natured and of righteous conduct. (mahākula kulinārya sabhya sajjana sadhavah.)"

Ārya- was also frequently used as a prefix of honor attached to names, and sometimes as an integral part of a person's name. E.g., Āryāsaṅga is the name of a Buddhist philosopher and author [2], and Āryabhaṭa is the name of an Indian mathematician.

In general, Ārya is either a term of approbation or refers to one's standing in the varṇa system: an arya is a free man, and not a member of a lower caste or a slave. Roughly, 'arya' is a follower of vedic traditions and take vedas as the nodal point of their religious and social identity. At an early period, the cultural area where the varna system was used, along with the linguistic area where Indic languages were spoken, would have been nearly the same. This region (northern and central India; the Indus and Ganges plains) was called Āryāvarta, meaning "abode of the noble people". At present, these cultural and linguistic spheres overlap but are quite distinct from each other. That is how 'aryavarta' is defined in manusmriti. Later the vedic culture spread through much of the Indian subcontinent and the word has come to mean Bharat in general.

The Western interpretation of ārya as the name of a particular race ("Aryans") became known in India in the 19th century and was generally accepted by Hindus and Hindu nationalists, though combined with religious self-identification. In response to the racial concept Vivekananda remarked: "...it is the Hindus who have all along called themselves Aryas. Whether of pure or mixed blood, the Hindus are Aryas; there it rests." (Vivekananda, Complete Works vol.5).

As an aside, mention must be made of a fact that does not lie in the realm of what could be considered Conventional History. Dravidian is an English word which comes from Dravida just as Aryan comes from Arya. Now pre-historic traditions from both Dravida and Arya make mention of Dravida being the original homeland of both the Dravidians and the Aryans of India. Here, however Dravidians are a people on the basis of region and not race, and similarly Aryans are a people on the basis of practiced customs and not race. Here, Dravida means a stretch land from East Africa and Madagascar till South India, and possibly further till Southeast Asia and Australia. Both the Dravidian legends and Aryan legends attribute their origins to this sunken continent[1][2].

Brasileiros no Cannes Lions 2008

Vert

Já que a moda é verde...

sábado, 14 de junho de 2008

Adágio Zen

"Aquele que é mestre na arte de viver faz pouca distinção entre seu trabalho e seu tempo livre, entre a sua mente e o seu corpo, entre a sua educação e a sua recreação, entre o seu amor e sua religião. Distingue uma coisa da outra com dificuldade. Almeja, simplesmente, a excelência em qualquer coisa que faça, deixando aos demais a tarefa de decidir se está trabalhando ou se divertindo. Ele acredita que está sempre fazendo as duas coisas ao mesmo tempo."

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Provável Próxima Leitura

Ao longo da história, uma tensão febril impele o homem a usar sua criatividade para tornar o mundo um lugar mais agradável para se viver: da roda aos óculos, do paraíso à Magna Carta, das cidades da Mesopotâmia à linha de montagem, das catedrais góticas ao Projeto Genoma, do cinema ao jazz.

Mas, ao contrário do que se imagina, a maior parte das criações humanas não é obra de gênios isolados e sim de grupos e coletividades, nos quais cooperam personalidades concretas e personalidades fantasiosas, motivadas por um líder carismático, por uma meta compartilhada.

Em Descoberta e Invenção, primeiro volume de Criatividade e Grupos Criativos, Domenico De Masi refaz o percurso da humanidade desde a pré-história até a atual sociedade pós-industrial analisando seus esforços para corrigir a natureza com a cultura.

Ao nos presentear com esta grande obra, o sociólogo italiano nos leva a refletir sobre o papel que estamos desempenhando para deixar aos nossos filhos um mundo melhor do que aquele que herdamos de nossos pais.

*****

Publicado originalmente em um só volume, Criatividade e Grupos Criativos, do sociólogo Domenico De Masi, chega agora ao público em dois volumes. Neste primeiro, Descoberta e Invenção, o autor mostra como o homem, desde sempre, se valeu da criatividade para derrotar seus inimigos atávicos: a fome, o cansaço, a ignorância, o medo, a feiúra, a solidão, a dor e a morte.

Usando a criatividade como fio condutor, De Masi analisa os esforços do homem para corrigir a natureza com a cultura – seja domesticando o cão, inventando a escrita, o purgatório, criando o Estado, a linha de montagem, as catedrais, o cinema ou o jazz.

O homem começou aprimorando técnicas de sobrevivência contra as ameaças da natureza e dos seus competidores. Prosseguiu elaborando sistemas culturais mais sofisticados e abstratos, com o objetivo de compensar as suas frustrações, as suas dores e as suas inseguranças com ilusões, com prazeres estéticos e com a acumulação de bens materiais.

E agora talvez tenha chegado à compreensão de que a acumulação insensata de dinheiro, de poder e de objetos permanece sendo incapaz de satisfazer as suas necessidades de introspecção, de amizade, de amor, de lucidez e de lazer para as quais necessita cultivar, de forma criativa, valores que haviam sido negligenciados, como a ética, a estética, a emotividade, a subjetividade e a qualidade de vida.

O sociólogo se debruça principalmente sobre o universo dos grupos criativos, mostrando que a maior parte das criações humanas é obra não de gênios individuais, mas de grupos e de coletividades.

Ao longo deste volume, ele apresenta diversos grupos criativos e analisa sua estrutura e suas características inovadoras: a Estação Zoológica de Nápoles, o Círculo Matemático de Palermo, a Wiener Werkstätte, o Círculo Filosófico de Viena, o Círculo de Bloomsbury, o grupo do físico Enrico Fermi, a Bauhaus, o Projeto Manhattan, o Projeto Genoma e muitos outros.

Segundo o autor, hoje, mais do que nunca, as descobertas científicas e as obras-primas artísticas são resultado do aporte coletivo e tenaz de trabalhadores, troupes, teams, squadre e equipes.

Decorrem das progressivas aproximações coletivas, da experiência milenar de clãs e tribos, da imaginação de um povo, do espírito de uma época. Não são mais do que etapas de um processo sem pontos de partida nem pontos de chegada, em que forças contraditórias como linhas retas e linhas curvas, razão e intuição incessantemente se alternam e entrelaçam.

http://www.esextante.com.br/publique/cgi/public/cgilua.exe/web/templates/htm/principal/view_0002.htm?editionsectionid=2&infoid=1721&user=reader

Remembrance

O Ócio Criativo

Uma bela viagem pela Sociologia e a Sociedade Pós-Industrial

Fractals

Amar é

Azia? Sociologia.
Malcriação? Sociologia.
Criatividade? Sociologia.

Só me falta agora redescobrir a vantagem absoluta em relação aos engenheiros e à carreira tecnológica. Porque o que realmente dá dinheiro é patente.

terça-feira, 10 de junho de 2008

De Masi

Você já imaginou fazer apenas o que gosta a vida inteira? Mas e daí, viveria do quê? Sonhos? Se imaginarmos o trabalho como um fardo, a situação realmente parece impossível. Mas e se o trabalho, o lazer e o estudo começassem a se misturar em nossas vidas de tal forma que não desse mais para diferenciar uma coisa da outra?

Esta é a proposta de Domenico de Masi, sociólogo italiano da Universidade La Sapienza, de Roma, e presidente da Escola de Especialização em Ciências Organizativas, a S3 Studium. Ele defende a idéia que é chegado o momento de cultivarmos o ócio criativo para uma nova era. Utopia? Não. Cada vez mais pessoas e empresas aderem aos seus conceitos e passam a ter vidas mais felizes e produtivas.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Stephen Hawking

Stephen William Hawking (Oxford, 8 de janeiro de 1942), doutor em Cosmologia, é um dos mais consagrados físicos teóricos do mundo. Hawking é professor lucasiano de Matemática na Universidade de Cambridge (posto que foi ocupado por Isaac Newton).

Os principais campos de pesquisa de Hawking são cosmologia teórica e gravidade quântica. Em 1971, em colaboração com Roger Penrose, ele provou o primeiro de muitos teoremas de singularidade; tais teoremas fornecem um conjunto de condições suficientes para a existência de uma singularidade no espaço-tempo. Este trabalho demonstra que, longe de serem curiosidades matemáticas que aparecem apenas em casos especiais, singularidades são uma característica genérica da relatividade geral.

Hawking também sugeriu que, após o Big Bang, primordiais ou miniburacos negros foram formados. Com Bardeen e Carter, ele propôs as quatro leis da mecânica de buraco negro, fazendo uma analogia com termodinâmica. Em 1974, ele calculou que buracos negros deveriam, termicamente, criar ou emitir partículas subatômicas, conhecidas como radiação Hawking, além disso, também demonstrou a possível existência de miniburacos negros. Hawking também participou dos primeiros desenvolvimentos da teoria da inflação cósmica no início da década 80 com outros físicos como Alan Guth, Andrei Linde e Paul J. Steinhardt, teoria que tinha como proposta a solução dos principais problemas do modelo padrão do Big Bang.

Títulos e Medalhas do Professor:

1975 – Medalha de “Eddington”.

1976 – Medalha de “Hughes” da Royal Society.

1979 – Medalha Albert Einstein.

1982 – Ordem do Império Britânico (Comandante).

1985 – Medalha de ouro da Royal Astronomical Society.

1986 – Membro da Pontifícia Academia das Ciências.

1988 – Prêmio em Física da Fundação Wolf.

1989 – Prêmio "Príncipe das Astúrias" da Concórdia.

1989 – Título de "Companheiro de Honra", da Rainha Elizabeth II.

1999 – Prêmio "Julius Edgar Lilienfeld" da Sociedade Americana de Física.

2003 – Prêmio "Michelson Morley" da Case Western Reserve University.

2006 – Medalha Copley da Royal Society.

http://www.hawking.org.uk/

domingo, 8 de junho de 2008

Computational Thinking

“Computational thinking is a fundamental skill for everyone, not just for computer scientists. To reading, writing, and arithmetic, we should add computational thinking to every child’s analytical ability… (It) involves solving problems, designing systems, and understanding human behavior, by drawing on the concepts fundamental to computer science….

“Computational thinking is thinking recursively. It is parallel processing. It is interpreting code as data and data as code… (It) is using abstraction and decomposition when attacking a large complex task or designing a large complex system. It is separation of concerns. It is choosing an appropriate representation for a problem or modelling the relevant aspects of a problem to make it tractable. It is using invariants to describe a system’s behaviour succinctly and declaratively. It is having the confidence we can safely use, modify and influence a large complex system without understanding its every detail….

Computational thinking is thinking in terms of prevention, protection and recovery from worstcase scenarios through redundancy, damage containment, and error correction. … Computational thinking is using heuristic reasoning to discover a solution. It is planning, learning and scheduling in the presence of uncertainty. It is search, search and more search, resulting in a list of Web pages, a strategy for winning a game, or a counterexample….

From Wing, Jeannete M. “Computational Thinking.” Communications of the ACM, March 2006/Vol.49, No.3, pp33-35

Assessora da NSA (A agência de fundação científica governamental dos EUA) para um congresso da Royal Academy em Bruxelas sobre políticas de investimento público no futuro da computação na UE.

Queerer than We Suppose

Entrepreneuriat

"Quoi que tu rêves d'entreprendre, commence-le. L'audace a du génie, du pouvoir, de la magie".

Johann Wolfgang von Goethe

sábado, 7 de junho de 2008

Origem da Academia

[do grego Akademía, pelo latim academia, pelo italiano accademia e pelo francês académie.]
Substantivo feminino.
1. Escola criada por Platão em 387 a.C., situada nos jardins consagrados ao herói ateniense Academus, e que, embora destinada oficialmente ao culto das musas, teve intensa atividade filosófica.

Iluminura

O Bruxo pode transformar o medo em alegria, a frustração em realização, o temporal no intemporal, pode levá-lo além das limitações em direção ao ilimitado. O Bruxo é amor, com a Baqueta ele cria. Com a Taça ele preserva. Com a Adaga ele destrói. Com a Moeda ele redime. Suas armas cumprem a roda; e em qual eixo ela gira, não é de seu saber.

http://www.casadobruxo.com.br

Às Voltas com a Filosofia

Dasein é o termo principal na filosofia existencialista de Martin Heidegger.

Na sua obra Ser e tempo, Heidegger se põe a questão filosófica do ser. Que é ser? Heidegger afirma que esta pergunta só pode ser posta pelo ser humano, pois nenhuma outra espécie é capaz de filosofear deste jeito. O ser humano é porquanto um "ente privilegiado": o ser humano, que é capaz de questionar o ser, que possui uma compreensão do ser. Este ente é o homem, que Heidegger chama de ser-aí, o homem enquanto um ente que existe imediatamente no mundo.[1]

Ser-aí é o homem na medida em que existe na existência cotidiana, do dia-a-dia, junto com os outros homens e em seus afazeres e preocupações. Para investigar o ser-aí enquanto possui sempre uma compreensão de ser impõe-se uma analítica existencial, que tem como tarefa explorar a conexão das estruturas existenciais que definem a existência do ser-aí.

O horizonte de fundo de toda a sua investigação é o do sentido de Ser, os modos e as maneiras de enunciação e expressão de ser. Nesta medida o importante está em alcançar a colocação correcta da questão pelo sentido de ser. Assim, ele põe a claro a desvirtuação dessa investigação ao longo da tradição que sempre se prendeu a uma compreensão ôntica, dominada pelo ente, em vez de se dedicar adequadamente ao estudo do ser. Esta notificação deve indicar-nos que não apenas o ente é, mas que o ser tem modos: há modos de ser. E cada ente deve ser abordado a partir do modo adequado de o abordar, o que deve ser esclarecido a partir do modo de ser próprio do ente que em cada caso está em estudo.

O Dasein, pela sua especificidade, inicia qualquer interrogação. O Dasein é o ente que em cada caso propriamente questiona e investiga. É também o Dasein que detém a possibilidade de enunciar o ser, pois é ele que tem o poder da proposição em geral. Daí que na questão acerca do sentido de ser seja fundamental começar por abordar o ser deste ente particular. E tem que ser o próprio Dasein a fazer isso, tem que ser ele próprio a mostrá-lo, a partir duma análise fenomenológica esclarecida.

...

Esse é o caminho que a fenomenologia propõe desvendar e que vou começar a trilhar, deixando de lado um pouco a experiência direta para me tornar um pouco mais acadêmico nesses tempos de confusão fenomenológica. Husserl, Heidegger e Sartre me esperam para aquele bate-papo cabeça que pretende, com essa volta à filosofia, organizar mais um pouco esse microcosmo para o retorno às idéias de administração aplicadas. Como dizia Sartre, o homem está condenado à liberdade, e preciso cuidar da minha culpa para poder aparecer como futuro CEO.

Lista de um Cotidiano "Perdido"

Os Três Reis Magos:
. O árabe Baltazar: trazia incenso, significando a divindade do Menino Jesus.
. O indiano Belchior: trazia ouro, significando a sua realeza.
. O etíope Gaspar: trazia mirra, significando a sua humanidade.

As 7 Notas Musicais
A origem é uma homenagem a São João Batista, com seu hino :
Ut queant laxis (dó) Para que possam
Re sonare fibris ressoar as
Mi ra gestorum maravilhas de teus feitos
Fa mulli tuorum com largos cantos
Sol ve polluit apaga os erros
Labii reatum dos lábios manchados
S ancti Ioannis Ó São João

Os Sete dias da Semana e os 'Sete Planetas'
Os dias, nos demais idiomas- com excessão da língua portuguesa , mantém os nomes dos sete corpos celestes
conhecidos desde os babilônios:

. Domingo - dia do Sol
. Segunda - dia da Lua.
. Terça - dia de Marte
. Quarta - dia de Mercúrio
. Quinta - dia de Júpiter
. Sexta - dia de Vênus
. Sábado - dia de Saturno

Os Doze Meses do Ano:
- Janeiro: homenagem ao Deus Janus, protetor dos lares
- Fevereiro: mês do festival de Februália (purificação dos pecados), em Roma;
- Março: em homenagem a Marte, deus guerreiro;
- Abril: derivado do latim Aperire (o que abre). Possível referência à primavera no Hemisfério Norte;
- Maio: acredita-se que se origine de maia, deusa do crescimento das plantas;
- Junho: mês que homenageia Juno, protetora das mulheres;
- Julho: No primeiro calendário romano, de 10 meses, era chamado de quintilis (5º mês). Foi rebatizado por Júlio César;
- Agosto: Inicialmente nomeado de sextilis (6º mês), mudou em homenagem a César Augusto;
- Setembro: era o sétimo mês. Vem do latim septem;
- Outubro: Na contagem dos romanos, era o oitavo mês;
- Novembro: Vem do latim novem (nove);
- Dezembro: era o décimo mês

Os Quatro Evangelistas e a Esfinge
. Lucas (representado pelo touro)
. Marcos (representado pelo leão)
. João (representado pela águia)
. Mateus (representado pelo anjo)

Você Sabia ?

1 - Durante a Guerra de Secessão, quando as tropas voltavam para o quartel após uma batalha sem nenhuma baixa, escreviam numa placa imensa: ' O Killed ' ( zero mortos ).. Daí surgiu a expressão ' O.K. '. Para indicar que tudo está bem.

2 - Nos conventos, durante a leitura das Escrituras Sagradas, ao se referir a São José, diziam sempre ' Pater Putativus ', ( ou seja: 'Pai Suposto' ) abreviando em P.P .'. Assim surgiu o hábito, nos países de colonização espanhola, de chamar os 'José' de 'Pepe'.

3 - Cada rei no baralho representa um grande Rei/Imperador da história:
. Espadas: Rei David ( Israel )
. Paus: Alexandre Magno ( Grécia/Macedônia )
. Copas: Carlos Magno ( França )
. Ouros: Júlio César ( Roma )

4 - No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito ' é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus '... O problema é que São Jerônimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra ' kamelos ' como camelo, quando na verdade, em grego, 'kamelos' são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A idéia da frase permanece a mesma, mas qual parece mais coerente?

5 - Quando os conquistadores ingleses chegaram a Austrália, se assustaram ao ver uns estranhos animais que davam saltos incríveis. Imediatamente chamaram um nativo ( os aborígenes australianos eram extremamente pacíficos ) e perguntaram qual o nome do bicho. O índio sempre repetia ' Kan Ghu Ru ', e portanto o adaptaram ao inglês, kangaroo' ( canguru ). Depois, os lingüistas determinaram o significado, que era muito claro: os indígenas queriam dizer: 'Não te entendo '.

6 - A parte do México conhecida como Yucatán vem da época da conquista, quando um espanhol perguntou a um indígena como eles chamavam esse lugar, e o índio respondeu ' Yucatán '. Mas o espanhol não sabia que ele estava informando ' Não sou daqui '.

7 - Existe uma rua no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, chamada 'PEDRO IVO'. Quando um grupo de estudantes foi tentar descobrir quem foi esse tal de Pedro Ivo, descobriram que na verdade a rua homenageava D.Pedro I, que quando foi rei de Portugal, foi aclamado como 'Pedro IV' (quarto). Pois bem, algum dos funcionários da Prefeitura, ao pensar que o nome da rua fora grafado errado, colocou um ' O ' no final do nome. O erro permanece até hoje. Acredite se quiser.. .
Nota: e eu que pensei que era em homenagem ao escrior Pedro Ivo... pode ser...

Intelectualidade e Resistência

Ora, o que os intelectuais descobriram recentemente é que as massas não necessitam deles para saber; elas sabem perfeitamente, claramente, muito melhor do que eles; e elas o dizem muito bem. Mas existe um sistema de poder que barra, proíbe, invalida esse discurso e esse saber. Poder que não se encontra somente nas instâncias superiores da censura, mas que penetra muito profundamente, muito sutilmente em toda a trama da sociedade. Os próprios intelectuais fazem parte deste sistema de poder, a idéia de que eles são agentes da "consciência" e do discurso também faz parte desse sistema. O papel do intelectual não é mais o de se colocar "um pouco na frente ou um pouco de lado" para dizer a muda verdade de todos; é antes o de lutar contra as formas de poder exatamente onde ele é, ao mesmo tempo, o objeto e o instrumento: na ordem do saber, da "verdade", da "consciência", do discurso. E por isso que a teoria não expressará, não traduzirá, não aplicará uma prática; ela é uma prática.

Michel Foulcault, numa conversa com Deleuze.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Social Entrepreneurs

Social entrepreneurs are individuals with innovative solutions to society’s most pressing social problems. They are ambitious and persistent, tackling major social issues and offering new ideas for wide-scale change.

Rather than leaving societal needs to the government or business sectors, social entrepreneurs find what is not working and solve the problem by changing the system, spreading the solution, and persuading entire societies to take new leaps.
Social entrepreneurs often seem to be possessed by their ideas, committing their lives to changing the direction of their field. They are both visionaries and ultimate realists, concerned with the practical implementation of their vision above all else.

Each social entrepreneur presents ideas that are user-friendly, understandable, ethical, and engage widespread support in order to maximize the number of local people that will stand up, seize their idea, and implement with it. In other words, every leading social entrepreneur is a mass recruiter of local changemakers—a role model proving that citizens who channel their passion into action can do almost anything.

Over the past two decades, the citizen sector has discovered what the business sector learned long ago: There is nothing as powerful as a new idea in the hands of a first-class entrepreneur.

"Social Entrepreneurs are not content just to give a fish, or teach how to fish. They will not rest until they have revolutionized the fishing industry."
- Bill Drayton

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Ideas Worth Spreading




O melhor site dos últimos tempos. Posso vir a fazer umas resenhas sobre as palestras, e inclusive se houver alguém que queira começar esse empreendimento comigo, que se manifeste que é um mercado muito pouco explorado no Brasil, o do empreendedorismo social. E é essa minha nova novidade

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Metaforas

Gareth Morgan e` a nova novidade merecedora da eternidade. Ainda aprenderei muito com esse cidadao.

Exímia Poesia

Louco, sim, louco, porque quis grandeza
Qual a Sorte a não dá.
Não coube em mim minha certeza;
Por isso onde o areal está
Ficou meu ser que houve, não o que há.

Minha loucura, outros que me a tomem
Com o que nela ia.
Sem a loucura que é o homem
Mais que a besta sadia,
Cadáver adiado que procria?

(Mensagem)

'Sperai! Cai no areal e na hora adversa
Que Deus concede aos seus
Para o intervalo em que esteja a alma imersa
Em sonhos que são Deus.

Que importa o areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É O que eu me sonhei que eterno dura
É Esse que regressarei.

por Fernando Pessoa

Comics




Austin Powers


Platôs

"Qual a relação entre a luta entre os homens e a obra de arte? A relação mais estreita possível e, para mim, a mais misteriosa. Exatamente o que Paul Klee queria dizer quando afirmava: “Pois bem, falta o povo”. O povo falta e ao mesmo tempo não falta. “Falta o povo” quer dizer que essa afinidade fundamental entre a obra de arte e um povo que ainda não existe nunca será clara. Não existe obra de arte que não faça apelo a um povo que ainda não existe." -Deleuze

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Sobre a criação

por Gilles Deleuze

Eu gostaria também de formular algumas perguntas. Formulá-las a vocês e formulá-las a mim mesmo. Seria algo como: o que exatamente vocês fazem, vocês, homens do cinema? E eu, o que exatamente eu faço, quando faço ou espero fazer filosofia?

Poderia formular a pergunta de outra maneira: o que é ter uma idéia em cinema? Se fazemos ou queremos fazer cinema, o que significa ter uma idéia? O que acontece quando dizemos: “Ei, tive uma idéia”? Porque, de um lado, todo mundo sabe muito bem que ter uma idéia é algo que acontece raramente, é uma espécie de festa, pouco corrente. E depois, de outro lado, ter uma idéia não é algo genérico. Não temos uma idéia em geral. Uma idéia, assim como aquele que tem a idéia, já está destinada a
este ou àquele domínio.

Trata-se ou de uma idéia em pintura, ou de uma idéia em romance, ou de uma idéia em filosofia, ou de uma idéia em ciência. E obviamente nunca é a mesma pessoa que pode ter todas elas. As idéias, devemos tratálas como potenciais já empenhados nesse ou naquele modo de expressão, de sorte que eu não posso dizer que tenho uma idéia em geral. Em função das técnicas que conheço, posso ter uma idéia em tal ou tal domínio, uma idéia em cinema ou uma idéia em filosofia.

O que é ter uma idéia em alguma coisa?

Parto do princípio de que eu faço filosofia e vocês fazem cinema. Admitido isso, seria muito fácil dizer que a filosofia, estando pronta para refletir sobre qualquer coisa, por que não refletiria sobre o cinema? Um verdadeiro absurdo. A filosofia não é feita para refletir sobre qualquer coisa. Ao tratar a filosofia como uma capacidade de “refletir-sobre”, parece que lhe damos muito, mas na verdade lhe retiramos tudo. Isso porque ninguém precisa da filosofia para refletir. As únicas pessoas capazes de refletir efetivamente sobre o cinema são os cineastas, ou os críticos de cinema, ou então aqueles que gostam de cinema. Essas pessoas não precisam da filosofia para refletir sobre o cinema. A idéia de que os matemáticos precisariam da filosofia para refletir sobre a matemática é uma idéia cômica. Se a filosofia deve servir para refletir sobre algo, ela não teria nenhuma razão para existir. Se a filosofia existe, é porque ela tem seu próprio conteúdo.

Qual é o conteúdo da filosofia?

Muito simples: a filosofia é uma disciplina tão criativa, tão inventiva quanto qualquer outra disciplina, e ela consiste em criar ou inventar conceitos. E os conceitos não existem prontos e acabados numa espécie de céu em que aguardariam que uma filosofia os apanhasse. Os conceitos, é preciso fabricá-los. É claro que os conceitos não se fabricam assim, num piscar de olhos. Não nos dizemos, um belo dia: “Ei, vou inventar um conceito!”, assim como um pintor não se diz: “Ei, vou pintar um quadro!”, ou um cineasta: “Ei, vou fazer um filme!”.

É preciso que haja uma necessidade, tanto em filosofia quanto nas outras áreas, do contrário não há nada. Um criador não é um ser que trabalha pelo prazer. Um criador só faz aquilo de que tem absoluta necessidade. Essa necessidade — que é uma coisa bastante complexa, caso ela exista — faz com que um filósofo (aqui pelo menos eu sei do que ele se ocupa) se proponha a inventar, a criar conceitos, e não a ocupar-se em refletir, mesmo sobre o cinema.

Eu digo que faço filosofia, ou seja, que tento inventar conceitos. E vocês que fazem cinema, o que vocês fazem?

O que vocês inventam não são conceitos — isso não é de sua alçada —, mas blocos de movimento/ duração. Se fabricamos um bloco de movimento/duração, é possível que façamos cinema. Não se trata de invocar uma história ou de recusá-la. Tudo tem uma história. A filosofia também conta histórias. Histórias com conceitos. O cinema conta histórias com blocos de movimento/duração. A pintura inventa um tipo totalmente diverso de bloco. Não são nem blocos de conceitos, nem blocos de movimento/duração, mas blocos de linhas/cores. A música inventa um outro tipo de bloco, também todo peculiar. Ao lado de tudo isso, a ciência não é menos criadora. Eu não vejo tantas oposições entre as ciências e as artes.

Se pergunto a um erudito o que ele faz, também ele inventa. Ele não descobre - a descoberta existe, porém não é por meio dela que definimos uma atividade científica como tal —, mas cria como se fosse um artista. Um erudito, coisa bem simples, é alguém que inventa ou cria funções. E ele está sozinho nessa empreitada. Um erudito, na condição de erudito, nada tem a ver com conceitos. É justamente para isso — e felizmente- que existe a filosofia. Em compensação, existe uma coisa que só o erudito sabe fazer: inventar e criar funções. O que é uma função? Existe uma função sempre que há correspondência uniforme de pelo menos dois conjuntos. A noção de base da ciência — e não desde ontem, mas desde muito tempo — é a noção de conjunto. Um conjunto não tem nada a ver com um conceito. Sempre que você puser conjuntos em correlação uniforme, você obterá conjuntos e poderá dizer: “Eu faço ciência”.

Se uma pessoa qualquer pode falar com outra qualquer, se um cineasta pode falar com um homem de ciência, se um homem de ciência pode ter algo a dizer a um filósofo e vice-versa, é na medida e em função das atividades criativas de cada um. Não que haja espaço para falar da
criação — a criação é antes algo bastante solitário —, mas é em nome de minha criação que tenho algo a dizer para alguém. Se eu alinhasse todas essas disciplinas que se definem pela sua atividade criadora, diria que há um limite que lhes é comum. O limite que é comum a todas essas séries de invenções, invenções de funções, invenções de blocos de duração/movimento, invenção de conceitos, é o espaço-tempo. Se todas as disciplinas se comunicam entre si, isso se dá no plano daquilo que nunca se destaca por si mesmo, mas que está como que entranhado em toda a disciplina criadora, a saber, a constituição dos espaços-tempos.

...

Texto completo, "O ato de criação", aqui.