quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A Estrutura da Revolução Científica

"A esperança não vem do mar
nem das antenas de tv

A arte é de viver da Fé
só não se sabe fé em quê."


Os Paralamas do Sucesso - Alagados

Playstation

Hole in my Soul

Aerosmith - Hole in my Soul

Astrofísica

Bonnie Tyler - Total Eclipse of the Heart

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O Físico

"We must assume behind this force the existence of a conscious and intelligent mind. This mind is the matrix of all matter."

Max Planck

Blake


William Blake - The Creation

Zeitgeist

Zeitgeist é um termo alemão, que se traduz como espírito do tempo, também podendo se utilizar do termo em português para denominá-lo. O Zeitgeist significa, em suma, o nível de avanço intelectual e cultural do mundo, em uma época. A pronúncia alemã da palavra é tzaitgaist, de acordo com o Dicionário Escolar Michaelis de Alemão.
O conceito de espírito do tempo denota a Johann Gottfried Herder e outros românticos alemães, mas é melhor conhecido no livro Filosofia da História de Hegel. Em 1769, Herder escreveu uma crítica ao trabalho Genius seculi do filólogo Christian Adolph Klotz (Artigo na Wiki alemã), introduzindo a palavra Zeitgeist como uma tradução de genius seculi (Latim: genius - "espírito guardião" e saeculi - "do século"). Os alemães românticos, tentados normalmente à redução filosófica do passado às essências, trataram de construir o "espírito do tempo" como um argumento histórico de sua defesa intelectual.

http://zeitgeistmovie.com/

Tem um bom em português também, nem tanto atrás das cortinas, feto quase que somente de imagnes de arquivo, que é o "Nós que aqui estamos por vós esperamos", documentário. Alguns momentos:

Em busca da Liberdade

"Our attempt to reshape others may produce change, but the change is distortion rather than transformation."

David Keirsey, Phd

http://www.keirsey.com/

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Hollywood na Tropa de Elite

"Tropa de Elite" é um filme de Hollywood falado em português. A obra de José Padilha é hollywoodiana no que a expressão tem de excelência técnica e conservadorismo social e estético. Ritmo narrativo ágil, fotografia caprichada, sonorização impecável, atores bem dirigidos e custo de produção na casa da dezena de milhões de reais são características do filme -não por acaso, apadrinhado pelo produtor Harvey Weinstein (ex-Miramax).
Mas "Tropa de Elite" herda do cinemão americano o roteiro esquemático, o moralismo mistificador, o cinismo utilitário, a hipocrisia social, o pensamento monolítico. Banaliza e glamouriza a tortura. Acha justificável os fins da assepsia social e seus meios aéticos. É um filme desumano e autoritário.

da Folha, por Plínio Fraga

80th USA Academy of Motion Pictures Arts and Sciences Awards





domingo, 24 de fevereiro de 2008

A Máquina do Mundo, de Drummond

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste... vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.

Carlos Drummond de Andrade - A Máquina do Mundo

Luau

King of Pain - The Police

New Age

David Bowie - Space Oddity (1969)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Castidade

Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
ou metade desse intervalo, porque também há vida ...
Sou isso, enfim ...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato.

Álvaro de Campos

O Início da Ciência

Universum - Flammarion

Demiurgo

O Demiurgo é o criador do Mundo inferior (ou material). É considerado o chefe dos Arcontes possuindo sabedoria limitada e imperfeita. Segundo os Gnósticos, esta entidade seria o Deus do Velho Testamento da Bíblia. Este ente tem a arrogância típica dos que se acham onipotentes. Criador de tudo que conhecemos, acha que todos devem curvar-se a sua divindade:"Não terás outros deuses diante de Mim" é seu lema. O demiurgo foi gerado por Sophia após sua queda. Ao ser gerado, criou o mundo material com o objetivo de aprisionar e governar as partículas divinas provenientes de Sophia na matéria. Querendo que as Almas do Mundo sejam livres, Sophia rebela-se contra o Demiurgo e envia aos homens o seu filho mais querido, o eon Christós ou Cristo que desce ao mundo material com o objetivo de transmitir a "Gnosis" (conhecimento) às Almas para que elas tenham consciência de sua parcela divina e partam para o Pleroma libertando-se do jugo do Demiurgo. Para impedir isso, o Demiurgo cria inúmeras ilusões para afastar as Almas de sua legítima parcela divina, de modo que estejam presas e sejam escravas do mundo material tendo que sempre a ele retornar (re-encarnação).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Atualidade

Uma novidade que demanda várias horas de investimento e vale, já que é uma plataforma gratuita de gerenciamento de conteúdo. Já é uma realidade, sendo o site da COPPEAD feito em joomla, assim também a Harvard. A ver como será o meu num futuro nem tão distante.

Clássico Niemeyer

Trailer de 'A vida é um Sopro', documento sobre Oscar Niemeyer

Eu sou Favela

Zé do Caroço, cantada por Seu Jorge - Leci Brandão


Morávamos na mesma rua, eu e Leci.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Plínio

“No retiro absoluto que criaste, é onde tendes a possibilidade de viver como entendes...te entregues ao estudo das letras, a fim de chegares a produzir alguma coisa pessoal.”

Um belo exemplar de ser estóico.

Sobre a Moral e a Estética

Another related concept is the moral core which is assumed to be innate in each individual, to those who accept that differences between individuals are more important than posited Creators or their rules. This, in some religious systems (e.g. Taoism and Gnosticism), is assumed to be the basis of all aesthetics and thus moral choice. Moral codes as such are therefore seen as coercive — part of human politics.

eStar

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?

"E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

Soneto XIII da Via Láctea (Olavo Bilac, Poesias, 1888) .

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

History of Evil in Western

BIC ®


Para Juan Francisco Casas aquela brincadeira de desenhar de caneta BIC enquanto a aula está chata rendeu profissão.
O desenho é uma de suas obras. De BIC.

Há vários outros aqui

No início

Eu sou Egoísta - Raul Seixas

Inspirado pelo Gene Egoísta de Dawkings

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Coleção Primeiros Passos: Lei

[do lat. lege.]
Substantivo feminino

1.Regra de direito ditada pela autoridade estatal e tornada obrigatória para manter, numa comunidade, a ordem e o desenvolvimento.

9.Filos. Relação necessária entre fenômenos, entre momentos de um processo ou entre estados de um ser, e que lhes expressa a natureza ou a essência.

10.Filos. Fórmula geral que enuncia uma relação constante entre fenômenos de uma dada ordem.


Lei Áurea. 1.A da abolição da escravatura no Brasil, assinada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel:
Lei básica. 1.A constituição de um Estado; lei fundamental.
Lei da oferta e da procura. 1.Econ. O princípio (válido sob certas condições) de que o preço e a quantidade produzida de um bem são determinados não por ações deliberadas dos agentes econômicos, mas pela interação do conjunto de vendedores e compradores no mercado.
Lei de conservação. 1.Fís. Part. Lei que afirma que o valor total de uma certa grandeza física, como massa, energia ou carga elétrica, se mantém constante em todas as reações, ainda que possa haver troca do valor dessa grandeza entre os componentes do sistema.
Lei de Lynch. 1.Justiça sumária feita pelo povo, que se apodera do criminoso e o julga, condena e executa imediatamente. V. linchar.
Lei de Titius-Bode. 1.Astr. Relação empírica que dá aproximadamente as distâncias dos planetas ao Sol, descoberta pelo astrônomo alemão Johann Tietz Titius (1729-1796) e divulgada pelo astrônomo alemão Johann Elert Bode (1747-1826). [Tb. se diz apenas lei de Bode.]
Lei do caboclo. 1.Bras. V. linha do caboclo.
Lei do desvio para o vermelho. 1.Cosm. Lei de Hubble.
Lei dos grandes números. 1.Estat. Teorema que afirma ser a probabilidade de um evento o limite estocástico da freqüência relativo da ocorrência do evento.
Lei maior. 1.V. constituição (3).
Lei marcial. 1.Lei militar instituída num país em ocasião de perigo, e que provoca a suspensão da lei ordinária.
Lei moral. 1.Filos. Princípio que deve guiar a ação humana com o fim de dotá-la de caráter moral. P. ex.: segundo Kant (v. kantismo), há uma única lei moral, que assim se enuncia: ‘Atue sempre como se a regra de conduta de cada vez adotada devesse tornar-se um princípio universal válido’.
Leis do espírito. 1.Filos. Leis do pensamento.
(Fonte: Aurélio)

Ver também: Linhas de Lei

People of the Sun

Rage Against the Machine - People of the Sun

"If the lie returns to the mouth of the powerful, our voice of fire will speak again" - quote EZLN

I've got Life

Ain't Got No...I've Got Life - Nina Simone

Calibragem

Ultraje a Rigor - Independente Futebol Clube

Eva

Let's Fall in Love - Diana Krall

Id

[do lat.]

1. isso.

[do gr.]

1. forma.

Ego

[do lat.]
pronome

1. primeira pessoa do singular, eu.

Ciente

" No templo da ciência, há muitas moradas... E em verdade muitos são os que as habitam, assim como são variados os motivos que os levaram até lá.
Muitos se voltam para a ciência pela agradável sensação de terem uma capacidade intelectual superior; a ciência é seu divertimento especial, ao qual se dedicam para viver experiências intensas e satisfazer sua ambição. Outros habitantes do templo oferecem o fruto do seu raciocínio neste altar por motivos unicamente utilitários.
Se um anjo do Senhor viesse expulsar todos os que pertencem a estas duas categorias, o templo ficaria consideravelmente mais vazio, embora ainda restassem alguns homens, tanto do presente quanto do passado... Se os tipos que acabamos de expulsar fossem os únicos existentes, o templo nem sequer teria existido, da mesma forma como não pode existir um bosque constituído apenas de trepadeiras... Aqueles que gozam das boas graças do anjo... são tipos um tanto estranhos, calados, solitários, na verdade menos parecidos uns com os outros do que os rejeitados entre si.
O que os trouxe para o templo foi... não se pode responder facilmente... a fuga do cotidiano, da sua dolorosa rudeza e irremediável monotonia, fuga dos grilhões dos desejos inconstantes. As personalidades delicadamente constituídas anseiam por escapar do ambiente apertado e barulhento em que se encontram, refugiando-se no silêncio das altas montanhas, onde a vista corre livremente através do ar ainda puro e alegremente acompanha os tranqüilizadores contornos aparentemente eternos."

Albert Einstein, 1918

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Metempsicose

Lula e os Cartões Corporativos

Vintage

Dancing Queen - Abba

Essa música exala paquera. Abba é imortal.

Le Duc V

"As pessoas fracas não podem ser sinceras."

Fraçois La Rochefoucauld

A Agenda da Imprensa

Maestrio Quintana

Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Empresas do Século XXI





Yvon Chouinard, o dono da Patagônia, é uma figura notável pelas contribuições para o alpinismo, além de também fazer bonito com suas organizações. A Patagônia, sua empresa de filosofia outdoor, inova em coisas como capas impermeáveis feitas de garrafas PET recicladas, grampos de escalada que não destroem as rochas, camisas de algodão de plantações sustentáveis e a doação de 1% de toda a receita para ajuda do planeta, distribuidos em um fundo que já é uma iniciativa com 755 empreendimentos contribuintes.

Chouinard também escreveu um livro de nome "Let my People Go Surfing", descrevendo o relacionamento na Patagônia e estabelecendo seu framework.


Diariatividade

KT Tunstall - Suddenly I See

Esculpir







Pierre Matter, artista francês, http://www.pierrematter.fr/

Entrevista com Freud


O cão se chama Lün, um chow presenteado por Helene Deutsch.


O VALOR DA VIDA – UMA ENTREVISTA RARA DE FREUD[1]


Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está esta entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da “Sigmund Freud House” publicou uma versão condensada, em 1976. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut[2], número especial do “Journal of Psychology”, de Nova Iorque, em 1957. É este texto que aqui reproduzimos, provavelmente pela primeira vez em português.


Tradução de Paulo César Souza


S. Freud: Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.

(Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos. Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual, multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou. Parece que o tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação).

S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção. Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.

(Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial).

Por que (disse calmamente) deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com suas agruras, chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr-do-sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?

George Sylvester Viereck[3]: O senhor teve a fama. Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. Recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua Universidade.

S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais. A fama chega apenas quando morremos e, francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não é virtude.

George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?

S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não é certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.

(Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia).

S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.

George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?

S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.

George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?

S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem constituir uma exceção?

George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?

S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás da conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar à vida. Movendo-se num círculo, seria ainda a mesma. Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro. No que me toca, estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.

George Sytlvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.

S. Freud: É possível que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer. Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição. Do mesmo modo como um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e os impulsos de morte habitam lado a lado dentro de nós. A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: “Além do Princípio do Prazer”. No começo, a psicanálise, supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante. Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.

George Sylvester Vierneck: Isto é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartmann.

S. Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais a forte. Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós. Neste sentido (acrescentou Freud com um sorriso) pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.

(Estava ficando frio no jardim. Prosseguimos a conversa no gabinete. Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.)


George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?

S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopolizá-la.

George Sylvester Vieireck: O senhor teve muito apoio dos leigos?

S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.

George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?

S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente. Minha filha também é psicanalista, como você vê ...

(Neste ponto apareceu Miss Anna Freud, acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxônica).

George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?

S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros. O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.

George Sylvester Viereck: Minha impressão é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristã. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tour comprec’est tout pardonner”.

S. Freud: Pelo contrário (esbravejou Freud – suas feições mudaram, assumindo a severidade de um profeta hebreu), compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não é de maneira alguma um corolário do conhecimento.

(Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, porque ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Uma herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça).

Minha língua é o alemão. Minha cultura, minha realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.

(Fiquei algo desapontado com esta observação. Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças, que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava-o mais atraente como ser humano. Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!).

Geoprge Sylvester Viereck: Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!

S. Freud: Nossos complexos são a fonte de nossa fraqueza, mas com freqüência, são também a fonte de nossa força.

George Sylvester Viereck: Imagino, observei, quais seriam os meus complexos!

S. Freud: Uma análise séria dura ao menos um ano. Pode durar mesmo dois ou três anos. Você está dedicando muitos anos de sua vida à “caça aos leões”. Você procurou sempre as pessoas de destaque para a sua geração: Roosevelt, o Imperador, Hindenburg, Briand, Foch, Joffre, Georg Bernard Shaw...

George Sylvester Viereck: É parte do meu trabalho.

S. Freud: Mas é também sua preferência. O grande homem é um símbolo. A sua busca é a busca do seu coração. Você está procurando o grande homem para tomar o lugar do seu pai. É parte do seu “complexo do pai”.

(Neguei veementemente a afirmação de Freud. No entanto, refletindo sobre isso, parece-me que pode haver uma verdade, ainda não suspeitada por mim, em sua sugestão casual. Pode ser o mesmo impulso que me levou a ele. Gostaria, observei após um momento, de poder ficar aqui o bastante para vislumbrar o meu coração através dos seus olhos. Talvez, como a Medusa, eu morresse de pavor ao ver minha própria imagem! Entretanto, receio ser muito informando sobre a psicanálise. Eu freqüentemente anteciparia, ou tentaria antecipar suas intenções).

S. Freud: A inteligência num paciente não é um empecilho. Pelo contrário, às vezes facilita o trabalho.

(Neste ponto o mestre da psicanálise diverge de muitos dos seus seguidores, que não gostam de excessiva segurança do paciente sob o seu escrutínio).

George Sylvester Viereck: Por vezes imagino se não seríamos mais felizes se soubéssemos menos dos processos que dão forma a nossos pensamentos e emoções. A psicanálise rouba a vida do seu último encanto, ao relacionar cada sentimento ao seu original grupo de complexos. Não nos tornamos mais alegres descobrindo que nós todos abrigamos o criminoso e o animal.

S. Freud: Que objeção pode haver contra os animais? Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana.

George Sylvester Viereck: Por quê?

S. Freud: Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais desagradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão (acrescentou Freud pensativamente) lembram-nos os heróis da Antigüidade. Talvez seja essa a razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis com Aquiles e Heitor.

George Sylvester Viereck: Meu cachorro é um doberman Pinscher chamado Ajax.

(Freud também possuía um chow. Mais informações em http://www.chowchow.com.br/ - Nota do Site)

S. Freud: (sorrindo) Fico contente de que não possa ler. Ele certamente seria um membro menos querido da casa, se pudesse latir sua opinião sobre os traumas psíquicos e o complexo de Édipo!

George Sylvester Viereck: Mesmo o senhor, Professor, sonha a existência complexa demais. No entanto, parece-me que o senhor seja em parte responsável pelas complexidades da civilização moderna. Antes que o senhor inventasse a psicanálise, não sabíamos que nossa personalidade é dominada por uma hoste beligerante de complexos muito questionáveis. A psicanálise torna a vida um quebra-cabeças complicado.

S. Freud: De maneira alguma. A psicanálise torna a vida mais simples. Adquirimos uma nova síntese depois da análise. A psicanálise reordena um emaranhado de impulsos dispersos, procura enrolá-los em torno do seu carretel. Ou. modificando a metáfora, ela fornece o fio que conduz a pessoa fora do labirinto do seu inconsciente.

George Sylvster Viereck: Ao menos na superfície, porém, a vida humana nunca foi mais complexa. A cada dia alguma nova idéia proposta pelo senhor ou por seus discípulos torna o problema da condução humana mais intrigante e mais contraditório.

S. Freud: A psicanálise pelo menos, jamais fecha a porta a uma nova verdade.

George Sylvester Viereck: Alguns dos seus discípulos, mais ortodoxos do que o senhor, se apegam a cada pronunciamento que sai da sua boca.

S. Freud: A vida muda. A psicanálise também muda. Estamos apenas no começo de uma nova ciência.

George Sylvester Viereck: A estrutura científica que o senhor ergueu me parece ser muito elaborada. Seus fundamentos – a teoria do “deslocamento”, da “sexualidade infantil”, do “simbolismo dos sonhos”, etc... – parecem permanentes.

S. Freud: Eu repito, porém, que nós estamos apenas no início. Eu sou apenas um iniciador. Consegui desencavar monumentos soterrados nos substratos da mente. Mas ali onde eu descobri alguns templos, outros poderão descobrir continentes.

George Sylvester Viereck: O senhor ainda coloca a ênfase sobretudo no sexo?

S. Freud: Respondo com as palavras do seu próprio poeta, Walt Whitman: “Mas tudo faltaria, se faltasse o sexo” (“Yet all were lacking, if sex were lacking”). Entretanto, já lhe expliquei que agora coloco ênfase quase igual naquilo que está “além” do prazer – a morte, a negociação da vida. Este desejo explica por que alguns homens amam a dor – como um passo para o aniquilamento!Explica por que os poetas agradecem a

Whatever gods there be,
That no life lives forever
And even the weariest river
Winds somewhere safe to sea.

(“Quaisquer deuses que existam/Que a vida nenhuma viva para sempre/Que os mortos jamais se levantem[4]/e também o rio mais cansado/Deságüe tranqüilo no mar”).

George Sylvester Viereck: Shaw, como o senhor, não deseja viver para sempre, mas à diferença do senhor, ele considera o sexo desinteressante.

S. Freud: (sorrindo) Shaw não compreende o sexo. Ele não tem a mais remota concepção do amor. Não há um verdadeiro caso amoroso em nenhuma de suas peças. Ele faz brincadeira do amor de Júlio César – talvez a maior paixão da História. Deliberadamente, talvez maliciosamente, ele despe Cleópatra de toda grandeza, reduzindo-a a uma insignificante garota. A razão para a estranha atitude de Shaw diante do amor, para a sua negação do móvel de todas as coisas humanas, que tira de suas peças o apelo universal, apesar do seu enorme alcance intelectual, é inerente à sua psicologia. Em um de seus prefácios, ele mesmo enfatiza o traço ascético do seu temperamento. Eu posso ter errado em muitas coisas, mas estou certo de que não errei ao enfatizar a importância do instinto sexual. Por ser tão forte, ele se choca sempre com as convenções e salvaguardas da civilização. A humanidade, em uma espécie de autodefesa, procura negar sua importância. Se você arranhar um russo, diz o provérbio, aparece o tártaro sob a pele. Analise qualquer emoção humana, não importa quão distante esteja da esfera da sexualidade e você certamente encontrará esse impulso primordial, ao qual a própria vida deve a perpetuação.

George Sylvester Viereck: O senhor, sem dúvidas, foi bem sucedido em transmitir esse ponto de vista aos escritores modernos. A psicanálise deu novas intensidades à literatura.

S. Freud: Também recebeu muito da literatura e da filosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É surpreendente até que ponto a sua intuição prenuncia as novas descobertas. Ninguém se apercebeu mais profundamente dos motivos duais da conduta humana, da insistência do princípio do prazer em predominar indefinidamente. O Zaratustra E diz: “A dor grita: Vai! Mas o prazer quer eternidade Pura, profundamente eternidade”. A psicanálise, pode ser menos amplamente discutida na Áustria e na Alemanha do que nos Estados Unidos, a sua influência na literatura é imensa, porém, Thomas Mann e Hugo von Hafmannsthak muito devem a nós. Schnitzler percorre uma via que é, em larga medida, paralela ao meu próprio desenvolvimento. Ele expressa poeticamente o que eu tento comunicar cientificamente. Mas o Dr. Schnitzler não é apenas um poeta, é também um cientista.

George Sylvester Vieireck: O senhor não é apenas um cientista, mas também um poeta. A literatura americana está impregnada da psicanálise. Hupert Hughes Harvrey O’Higgins e outros se fazem de seus intérpretes. É quase impossível abrir um novo romance sem encontrar referência à psicanálise. Entre os dramaturgos, Eugene O’Neill e Sydney Howard têm profunda dívida para com o senhor. “A The Silver Cord”, por exemplo, é simplesmente uma dramatização do complexo de Édipo.

S. Freud: Eu sei e apresento o cumprimento que há nessa constatação. Mas tenho receio da minha popularidade nos Estados Unidos. O interesse americano pela psicanálise não se aprofunda. A popularização leva à aceitação superficial sem estudo sério. As pessoas apenas repetem as frases que aprendem no teatro ou na imprensa. Pensam compreender algo da psicanálise porque brincam com seu jargão! Eu prefiro a ocupação intensa com a psicanálise, tal como ocorre nos centros europeus. A América foi o primeiro país a reconhecer-me oficialmente. A “Clark University” concedeu-me um diploma honorário quando eu ainda era ignorado na Europa. Entretanto, a América fez poucas contribuições originais à psicanálise. Os americanos são julgadores inteligentes, raramente pensadores criativos. Os médicos nos Estados Unidos e ocasionalmente também na Europa, procuram monopolizar para si a psicanálise. Mas seria um perigo para a psicanálise deixá-la exclusivamente nas mãos dos médicos, pois uma formação estritamente médica é, com freqüência, um empecilho para o psicanalista É sempre um empecilho, quando certas concepções científicas tradicionais ficam arraigadas no cérebro estudioso.

(Freud tem que dizer a verdade a qualquer preço! Ele não pode obrigar a si mesmo a agradar a América, onde está a maioria de seus admiradores. Apesar da sua intransigente integridade, Freud é a urbanidade em pessoa. Ele ouve pacientemente cada intervenção, não procurando jamais intimidar o entrevistador. Raro é o visitante que deixa sua presença sem algum presente, algum sinal de hospitalidade! Havia escurecido. Era tempo de eu tomar o trem de volta à cidade que uma vez abrigara o esplendor imperial dos Hasburgos. Acompanhada da esposa e da filha, Freud desceu os degraus que levavam do seu refúgio na montanha à rua, para me ver partir. Ele me pareceu cansado e triste, ao dar o seu adeus).

S. Freud: Não me faça parecer um pessimista (disse ele após o aperto de mão). Eu não tenho desprezo pelo mundo. Expressar desdém pelo mundo é apenas outra forma de cortejá-lo, de ganhar audiência e aplauso. Não, eu não sou um pessimista, não, enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! Não sou infeliz – ao menos não mais infeliz que os outros.

(O apito de meu trem soou na noite. O automóvel me conduzia rapidamente para a estação. Aos poucos o vulto ligeiramente curvado e a cabeça grisalha de Sigmund Freud desapareceram na distância).

¨
[1] Esta extraordinária entrevista com Freud me foi enviada, via e-mail, pelo nosso colega da Rio III, Waldemar Zusmman em 28 de julho último. Achei-a tão interessante que resolvi compartilhá-la com os colegas brasileiros que dispõem de e-mail. Antes, pedi à Profa. Marisa Giannecchini de Souza que a organizasse em um texto facilitador de sua leitura – sem que se alterasse, em nada, sua essência. Assim, ao Dr. Zusman e Marisa meu profundo agradecimento. Ribeiro Preto, Agosto 2000. J. A. Junqueira Mattos (Junqueira@familiajunqueira.com.br).
[2] Palavra incompleta no original enviado. Nota do revisor, Junqueira Mattos.
[3] O narrador que nos introduziu no ambiente da entrevista assume agora o papel de interlocutor de Freud, com seu nome reconhecido de jornalista George S. Viereck. Ao longo da interlocução, ora ele dirige o debate com Freud, ora informa o leitor, oferecendo sua leitura a partir da fala. Vamos ver, portanto, este Ator mais próximo de Freud ou mais próximo do público, criando efeitos de proximidade e distanciamento para melhor captar o contexto em que se produziu esta entrevista. Nota do revisor, Junqueira Mattos.
[4] Esta frase não está no original Inglês a mim enviado. Nota do revisor. Junqueira Mattos.

Série A Origem das Coisas

O termo “matemática” e o termo “filosofia” foram criados pelo mesmo pensador, Pitágoras. Este liderava uma escola, na cidade de Samos, a chamada escola Pitagórica. Havia dois grupos de alunos: os mathematikoi que eram alunos regulares e internos na escola. E havia o segundo grupo, os akoumastikoi que eram apenas alunos ouvintes e não matriculados.

Já o termo “filosofia”, Pitágoras cunhou quando por causa de seus conhecimentos foi chamado de sophos, que quer dizer sábio em grego. No entanto, Pitágoras refutou que não era um sophos, mas philo sophos, que em grego quer dizer um amante do saber ou da sabedoria.

Pitagoras' Switch

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Winehouse

Valerie - Amy Winehouse

Jainista

"Se você puder desistir de seus problemas, o caminho para a alegria poderá ser aberto (...) E você irá perceber que os seus problemas não o estavam segurando; você é que os estava segurando."

(Rajneesh)

Damião Arroz

The Rat Within the Grain - Damien Rice

Ciência Livre



http://acessolivre.capes.gov.br/

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Antes fosse Santa!

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração

E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

(Chico Buarque)

Axioma

Um axioma é uma sentença ou proposição que não é provada ou demonstrada e é considerada como óbvia ou como um consenso inicial necessário para a construção ou aceitação de uma teoria. Por essa razão, é aceito como verdade e serve como ponto inicial para dedução e inferências de outras verdades (dependentes de teoria).

Na matemática, um axioma é uma hipótese inicial de qual outros enunciados são logicamente derivados. Pode ser uma sentença, uma proposição, um enunciado ou uma regra que permite a construção de um sistema formal. Diferentemente de teoremas, axiomas não podem ser derivados por princípios de dedução e nem são demonstráveis por derivações formais, simplesmente porque eles são hipóteses iniciais. Isto é, não há mais nada a partir do que eles seguem logicamente (em caso contrário eles seriam chamados teoremas). Em muitos contextos, "axioma", "postulado" e "hipótese" são usados como sinônimos.

Como foi visto na definição, um axioma não é necessariamente uma verdade auto-evidente, mas apenas uma expressão lógica formal usada em uma dedução, visando obter resultados mais facilmente. Axiomatizar um sistema é mostrar que suas inferências podem ser derivadas a partir de um pequeno e bem-definido conjunto de sentenças. Isto não significa que elas possam ser conhecidas independentemente, e tipicamente existem múltiplos meios para axiomatizar um dado sistema (como a aritmética). A matemática distingue dois tipos de axiomas: axiomas lógicos e axiomas não-lógicos.

Nas teorias das ciências naturais, um axioma é considerado uma verdade evidente que não precisa qualquer explicação e é aceita sem ser demonstrada ou provado no domínio de sua aplicação. A fraqueza, aplicabilidade ou utilidade de tais teorias logicamente corretas depende da escolha arbitrária de seus axiomas.

Na engenharia, axiomas são aceitos sem provas formais e suas escolhas são negociadas a partir do ponto de vista utilitário e econômico. Podem também ser considerados como hipóteses na modelagem e mudados depois da validação do modelo.

Declarações explícitas de axiomas é uma condição necessária para a computabilidade de uma teoria, modelo ou método. Neste caso, o axioma pode ser visto como um conceito relativo dependente de domínio, por exemplo, em cada programa de software, declarações iniciais podem ser consideradas como seus axiomas locais.

via Wikipedia

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Yorke

No Surprises - Radiohead

A Haia



A cidade da Haia (em neerlandês Den Haag, ou oficialmente, 's-Gravenhage) é a terceira maior cidade nos Países Baixos depois de Amsterdão e Roterdão. A Haia é a real sede do governo, porém, oficialmente não é a capital dos Países Baixos, de acordo com a constituição a capital é Amsterdã. A Haia é a sede do Eerste Kamer (primeira câmara) e da Tweede Kamer (segunda câmara), respectivamente as câmaras alta e baixa que formam o "Staten Generaal" (literalmente os "Estados Gerais"). A Rainha Beatriz dos Países Baixos vive e trabalha na Haia. Todas as embaixadas e ministérios estão localizados na cidade, assim como a Hoge Raad der Nederlanden (A Suprema Corte), o Raad van State (Conselho do Estado) e muitas organizações lobistas.

Den Haag - Sítio Oficial
The Hague Academy of International Law




International Organisations

As a result of its rich legacy in international politics, The Hague is home to over 150 international (legal) organisations. These include the International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia (ICTY), the International Court of Justice (ICJ), the Appeals Chamber of the International Criminal Tribunal for Rwanda (ICTR) and the International Criminal Court (ICC).
The foundation of The Hague as an "international city of peace and justice" was laid in 1899, when the world's first Peace Conference took place in The Hague on Tobias Asser's initiative, followed by a second in 1907. A direct result of these meetings was the establishment of the world's first organisation for the settlement of international disputes: the Permanent Court of Arbitration (PCA). Shortly thereafter the Scottish-American millionaire Andrew Carnegie made the necessary funds available to build the Peace Palace (“Vredespaleis”) to house the PCA.
After the establishment of the League of Nations, The Hague became the seat of the Permanent Court of International Justice, which was replaced by the UN's International Court of Justice after the Second World War. The establishment of the Iran-US Claims Tribunal (1981), the International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia (1993) and the International Criminal Court (2002) in the city further consolidated the role of The Hague as a centre for international legal arbitration. Most recently, in December 2007, the Dutch Cabinet offered to host a U.N. tribunal to investigate and prosecute suspects in the 2005 assassination of former Lebanese Prime Minister Rafik Hariri. This Hariri Tribunal will be located in the former headquarters of the Netherlands General Intelligence Agency in Leidschendam, a suburb of The Hague.
Currently the city authority is seeking to establish an image of the city as the "legal capital of the world" and "international city of peace and justice".
Major international organisations based in The Hague include:
International Criminal Tribunal for the Former Yugoslavia, (ICTY)
Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons, (OPCW)
International Court of Justice, located in the Peace Palace.
International Criminal Court, (ICC).
European Police Office, (Europol)
Hague Academy of International Law, center for high-level education in both public and private international law.
Permanent Court of Arbitration, the oldest institution for international dispute resolution.
Hague Conference on Private International Law, (HCCH), the oldest and preeminent private international law harmonization institution.
Iran-United States Claims Tribunal
Eurojust, European Union body composed of national prosecutors.
European Patent Office
The European Library

Supernova

The Masoquist

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Da Orbe Científica




Pra quem não conhece, um revival do portal brasileiro de periódicos científicos com assinaturas de todo o planeta, patrocinado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de PEssoal de nível Superior.

The Naked Truth Docs

Budismo Moderno

Tome, Dr., esta tesoura, e… corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!

Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!

Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;

Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

(Augusto dos Anjos)

Duc La Rochefoucauld IV

"Quem vive sem loucura não é tão sábio como pensa."

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Mistérios de uma Cidade Perdida no Atlântico

energia 06/02/2008
Cientistas encontram fonte curiosa de 'petróleo' nas profundezas do mar

Cientistas descobriram uma fonte curiosa de hidrocarbonetos (que dão origem ao petróleo) nas profundezas do Oceano Atlântico. O mais surpreendente foi que, ao contrário de todos os hidrocarbonetos já conhecidos do planeta, este não tem origem na vida. Ele é tão inorgânico quanto as pedras que o circundam.

É uma combinação extremamente complexa de hidrocarbonetos que dá origem ao petróleo (e também ao gás natural). E é o petróleo que dá origem à gasolina que você usa em seu carro. Até hoje, acreditava-se que os hidrocarbonetos surgiam apenas a partir de compostos orgânicos. Plantas e animais mortos entravam em decomposição e suas moléculas, no fundo da Terra, passavam milhões de anos sob pressão intensa até virarem um hidrocarboneto.

Pois foi um tipo completamente diferente que os pesquisadores encontraram no campo da chamada "Cidade Perdida", uma área do Oceano Atlântico que contém estranhas torres de pedra e bichos mais esquisitos ainda. Eles perceberam que um líquido desconhecido fluía das falhas nas pedras no chão. Quando analisaram descobriram duas coisas aparentemente contraditórias. O líquido era um hidrocarboneto, mas não era orgânico.

No estudo publicado na revista "Science", os pesquisadores da Universidade de Washington, nos EUA, afirmaram acreditar que o líquido tenha surgido de reações feitas a partir de carbono que "vazou" das rochas ao redor. Se for verdade, pode haver mais hidrocarbonetos de origens diferentes no fundo dos oceanos. E mais, eles podem ter, de fato, dado origem aos compostos que seriam necessários para o surgimento da vida na Terra.
(Globo Online)

Zen

Chuan Tsu sonhara ser uma borboleta, a esvoaçar daqui e dali. Logo ele acordou e percebeu que ele alí estava, o sólido e inconfundível Chuan Tzu.

Então ele não mais sabia se era Chuan Tsu sonhando ser uma borboleta, ou se era uma borboleta sonhando ser Chuan Tzu.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Science Fiction Rock n' Roll

Jimi Hendrix - Purple Haze live at Monterey Festival


- What are you doing, Jimi?
- Science-Fiction Rock n' Roll.
(de Jimi Hendrix: The Uncut Story, disponível em video.google, no processo de criação de Purple Haze.)

Tropicália

Divino Maravilhoso - voz de Gal, letra de Caetano e música de Gil

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

He-Man and The Masters of the Universe


Yggdrasil


ODIN, às vezes passeava por Midgard, a terra do meio, entre os homens. Ia disfarçado de velho, apoiado numa bengala, e retribuía a gentileza com riquezas, cortesia com sabedoria, e o mau trato com vingança. A cada manhã seus dois corvos, Huginn e Munnin, voavam pelo mundo, lhe trazendo notícias da humanidade. O próprio Odin podia mudar sua aparência, e viajava sob forma de pássaro ou animal. Contam-se muitas histórias sobre como o Pai de Tudo conseguiu sua grande sabedoria e poderes mágicos. Para cada conquista houve um preço a pagar.

A Árvore do Mundo, Yggdrasil, é um freixo gigante que se eleva por cima do mundo. Uma raiz está no horrível mundo de Niflheim, onde a serpente Nidhogg se alimenta dos cadáveres, e morde a própria Yggdrasil. Uma Segunda raiz está no reino divino de Asgard, e lá moram as Norns, três velhas que governam o destino dos homens. Seus nomes são: Destino, Ser e Necessidade, e elas mantêm Yggdrasil viva, regando a raiz com a água pura da fonte do destino. A terceira raiz está em Jotunheim, a terra dos gigantes. Por baixo dessa raiz está a fonte, onde a cabeça cortada de Mimir diz palavras duras. Odin pagou com um de seus olhos para beber percepção e conhecimento dessa fonte. Mas foi da própria Yggdrasil que o Altíssimo, o Pai de Tudo, o Encapuzado, o terrível lanceiro, Odin de muitos nomes, obteve o segredo das runas, símbolos mágicos com os quais os homens podem registrar e compreender suas vidas. Durante nove longas noites Odin ficou pendurado na árvore açoitada do vento, vazado por uma lança, oferecendo a si mesmo como sacrifício. Nem mesmo Ratatosk, o esquilo que sobe e desce a árvore transmitindo insultos da águia, no topo, para a serpente Nidhogg, no fundo, ofereceu-lhe comida ou bebida. No final de seu sofrimento, Odin soltou um enorme grito e, agarrando as runas, caiu da árvore.

Quando levantou-se da morte, Odin sabia de muitas coisas escondidas do homem. Sabia como curar os doentes, sabia como cegar a espada de seus inimigos e como agarrar uma flecha em pleno vôo. Deus dos deuses, deus das batalhas, Odin cuida da humanidade. Aos poetas ele dá goles do orvalho da poesia, fermentando há tempos pelos anões; aos guerreiros mortos em batalha, ele oferece uma recepção suntuosa nos salões dourados de Valhalla.

de Editorial

Click on Klimt


Árvore da Vida - Gustav Klimt

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

La Rouchefoucauld III

"A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes."

sábado, 2 de fevereiro de 2008

When Love's gone...

David Guetta - Love is Gone

Sentenças sobre Arte Conceitual

Sol LeWitt foi um artista que conseguiu ser compreendido no Brasil no seu justo tempo. Antes mesmo de representar os Estados Unidos na 23ª. Bienal de São Paulo -isto é: quando já estava consagrado-, a invenção de uma "grade" minimalista já provocava um vigoroso debate entre artistas e teóricos, colocando o artista em diapasão com o neoconcretismo. Entre suas mais importantes exposições, cabe lembrar as Documentas 6 e 7 (1977 e 1982) e as participações em curadorias históricas, "Primary Structures" (Jewish Museum, Nova York, 1966) e "When Attitude Becomes Form" (Kunsthalle, Bern, Suíça, 1969).

O texto que a seção “em obras”, de Trópico, reproduz, “Sentenças sobre Arte Conceitual”, de 1969, traz a sentença que foi fundamental para Lucy Lippard no seu livro mais canônico, “Six Years: The Dematerialization of the Art Object From 1966 to 1972” (Londres, Studio Vista, 1973): "Nem todas as idéias precisam ser concretizadas". Talvez seja o caso de afirmar que nem todos os críticos, artistas, galeristas e colecionadores compreenderam o alcance desta frase. De todo modo, eis um texto para ler e reler, enquanto Sol Lewitt não está mais entre nós. (Lisette Lagnado)

*

1. Os artistas conceituais são místicos ao invés de racionalistas. Eles chegam a conclusões que a lógica não pode alcançar.

2. Julgamentos racionais repetem julgamentos racionais.

3. Julgamentos ilógicos levam a novas experiências.

4. A Arte Formal é essencialmente racional.

5. Pensamentos irracionais devem ser seguidos de maneira absoluta e lógica.

6. Se o artista muda de idéia no meio do caminho, enquanto executa seu trabalho, ele compromete o resultado e repete resultados passados.

7. A vontade do artista é secundária ao processo que ele inicia, desde a idéia até sua concretização. Sua voluntariedade pode ser pura manifestação do ego.

8. Quando palavras como pintura e escultura são usadas, elas carregam toda uma tradição e implicam a consequente aceitação desta tradição colocando, assim, limitações ao artista que hesita em ir além dos limites anteriores.

9. Conceito e idéia são coisas diferentes. O primeiro implica uma direção geral enquanto o último são os componentes. As idéias implementam o conceito.

10. Idéias em si podem ser uma obra de arte; estão em uma cadeia de desenvolvimento e podem finalmente encontrar alguma forma. Nem todas as idéias precisam ser concretizadas.

11. As idéias não vêm necessariamente em uma sequência lógica. Podem partir em direções inesperadas, mas uma idéia deve necessariamente estar completa na cabeça antes que a próxima se forme.

12. Para cada obra de arte que se concretiza existem muitas variações não concretizadas.

13. Uma obra de arte pode ser entendida como uma ponte que liga a mente do artista à mente do espectador. Mas pode jamais alcançar o espectador ou jamais sair da mente do artista.

14. As palavras de um artista a outro podem induzir uma cadeia de idéias - se estes compartilham o mesmo conceito.

15. Dado que nenhuma forma é intrinsecamente superior à outra, o artista pode usar, igualmente, qualquer forma, desde uma expressão verbal (escrita ou falada) até a realidade física.

16. Se palavras são usadas e procedem de idéias sobre arte, estas são arte e não literatura; números não são matemática.

17. Todas as idéias são arte se se referem à arte e encaixam-se nas convenções da arte.

18. Geralmente entendemos a arte do passado aplicando as convenções do presente e, assim, entendemos mal a arte do passado.

19. As convenções da arte são alteradas por obras de arte.

20. A arte bem sucedida transforma nossa compreensão das convenções ao alterar nossas percepções.

21. Perceber idéias conduz a novas idéias.

22. O artista não é capaz de imaginar sua arte nem de percebê-la antes de estar completa.

23. Um artista pode perceber erroneamente uma obra de arte (entendendo-a diferentemente do autor), mas abandonará sua própria cadeia de pensamento através desta má compreensão.

24. A percepção é subjetiva.

25. O artista não precisa necessariamente entender sua própria arte. Sua percepção não é melhor nem pior que a dos demais.

26. Um artista pode perceber a arte de outrem melhor que a sua própria.

27. O conceito de obra de arte pode envolver o material da peça ou seu processo de realização.

28. Uma vez estabelecida a idéia da obra na mente do artista, e decidida sua forma final, o processo é levado a cabo às cegas. Existem muitos defeitos secundários que o artista não é capaz de imaginar. Estes podem ser utilizados como idéias para novos trabalhos.

29. O processo é algo mecânico e não deve ser outro. Ele deve seguir seu curso.

30. Existem muitos elementos envolvidos numa obra de arte. Os mais importantes são os mais óbvios.

31. Se um artista utilizasse a mesma forma em um grupo de obras, e alternasse o material, poderíamos supor que o conceito envolvia o material.

32. Idéias banais não podem ser redimidas através de uma bela execução.

33. É difícil estragar uma boa idéia.

34. Quando um artista aprende bem demais o seu ofício, ele produz uma arte esperta.

35. Essas frases são comentários sobre arte e não são arte.


Tradução de Silvia Bigi e Márion Strecker Gomes para a revista “Arte em São Paulo”, n. 15, maio de 1983 (Publicado em 9/4/2007 no Uol)

Duc de la Rochefoucauld

"O homem verdadeiramente honesto é aquele que não se ofende com nada." -François

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Reality Jockey

Louco?!?!?...

Não, não é louco. O espírito somente
É que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
Aproxima-se mais à essência etérea.

Achou pequeno o cérebro que o tinha:
Suas idéias não cabiam nele;
Seu corpo é que lutou contra sua alma,
E nessa luta foi vencido aquele.

Foi uma repulsão de dois contrários;
Foi um duelo, na verdade insano:
Foi um choque de agentes poderosos:
Foi o divino a combater com o humano.

Agora está mais livre. Algum atilho
Soltou-se-lhe do nó da inteligência;
Quebrou-se o anel dessa prisão de carne,
Entrou agora em sua própria essência.

Agora é mais espírito que corpo:
Agora é mais um ente lá de cima;
É mais, é mais que um homem vão de barro:
É um anjo de Deus, que Deus anima.

Agora, sim - o espírito mais livre
Pode subir às regiões supernas:
Pode, ao descer, anunciar aos homens
As palavras de Deus, também eternas.

E vós, almas terrenas, que a matéria
Ou sufocou ou reduziu a pouco,
Não lhe entendeis, por isso, as frases santas,
E zombando o chamais, portanto: - um louco!

Não, não é louco. O espírito somente
É que quebrou-lhe um elo da matéria.
Pensa melhor que vós, pensa mais livre,
aproxima-se mais à essência etérea.

Junqueira Freire - Louco